O fim da casa neutra e por que o alto padrão passa a abraçar cor, identidade e expressão - Joana D'arc

Destaque

10 abril 2026

O fim da casa neutra e por que o alto padrão passa a abraçar cor, identidade e expressão

Tendências globais e a Bienal de Arquitetura Brasileira apontam uma mudança no morar, com espaços mais autorais e conectados à vida real

A predominância de ambientes neutros, marcada por tons claros e estética minimalista, começa a perder espaço em projetos residenciais de alto padrão. Um relatório recente do Pinterest indica que, em 2026, a casa tende a se tornar mais expressiva, com o uso de cores, listras e elementos inesperados, movimento impulsionado principalmente por millennials e baby boomers. O comportamento revela uma busca crescente por espaços que reflitam personalidade e proporcionem uma experiência mais leve e criativa no dia a dia.

A mudança vai além da estética e aponta para uma nova forma de se relacionar com o morar. Ambientes passam a incorporar referências individuais, memórias e repertórios culturais, deixando de seguir padrões universais. A própria arquitetura acompanha esse movimento. A Bienal de Arquitetura Brasileira, realizada no Parque Ibirapuera, evidencia uma produção cada vez mais conectada ao território e às identidades locais, com projetos inspirados nos biomas brasileiros e em modos de viver mais diversos.

Para a arquiteta Rose Chaves, essa transformação reflete um olhar mais consciente sobre o espaço. “Durante muito tempo, existiu uma busca por ambientes neutros, quase padronizados. Hoje, o que se vê é o oposto. As pessoas querem espaços que contem histórias, que tragam referências pessoais e que façam sentido na rotina. A casa passa a ser uma extensão de quem vive ali”, enfatiza.

A experiência de morar ganha protagonismo. Luz natural, ventilação, textura e materialidade passam a orientar a construção de ambientes mais acolhedores e intuitivos. Nessa perspectiva, os revestimentos assumem papel estratégico ao permitir composições mais autorais, explorando cores, padrões e superfícies que contribuem para a identidade dos projetos e para o conforto no uso cotidiano.

Rose também observa uma mudança consistente no entendimento de alto padrão. “Existe uma ruptura com a ideia de que a sofisticação está ligada à neutralidade. As pessoas querem se reconhecer no espaço onde vivem, e isso passa por escolhas mais conscientes, que envolvem cor, textura e materialidade. O projeto ganha força quando traduz identidade e cria uma relação mais próxima com quem habita, sem abrir mão de equilíbrio e coerência”, conclui.

 

Sobre a especialista - Rose Chaves está no segmento de arquitetura e design de interiores há mais de 30 anos. É especialista em pisos e revestimentos e sua paixão é transformar ambientes em arte seguindo sempre as principais tendências, mas sem deixar de lado a exclusividade que cada cliente merece.

Rose já realizou mais de 600 projetos e está à frente da Prime Revest, loja conceituada de revestimentos localizada em Santo André, São Paulo. @rose_chaves

Um comentário:

  1. Eu não discordo, mas acho que existe espaço para decorar do jeito que se quer, geralmente quem escolhe um padrão mais minimalista nas cores é quem passa pouco tempo em casa, já quem fica mais em casa prefere algo mais aconchegante, enfim, gostos são variados, eu já gosto de tudo um pouco, menos de paredes coloridas demais.

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