Atualmente, o país sofre com falhas na distribuição do acesso, onde mulheres fora da faixa etária recomendada realizam o exame repetidas vezes, enquanto outras mais vulneráveis ficam desassistidas. A mortalidade e incidência da doença estão diretamente atreladas a fatores socioeconômicos e à limitação de acesso aos serviços de saúde.
É nesse cenário de vulnerabilidade que a inovação do teste de DNA-HPV apresenta mais um diferencial: a possibilidade de autocoleta. Com esse método, a própria mulher pode colher a sua amostra utilizando um swab, muitas vezes na privacidade e no conforto de sua casa, sem a necessidade de deslocamento para a coleta ginecológica convencional em consultório médico. Essa quebra de barreiras é um divisor de águas para democratizar a saúde feminina, impactando diretamente as mulheres que vivem em áreas remotas com escassez de clínicas ou aquelas que, por vergonha do exame físico ou por carregarem traumas, evitam o rastreamento tradicional. Ao entregar autonomia à paciente, o método garante que o rastreamento preventivo chegue a quem antes ficava à margem do sistema.
Outro pilar fundamental é a prevenção primária. Embora a vacinação contra o HPV seja indispensável, ela não elimina o risco da doença de forma isolada, tornando essencial a sua associação com um programa de rastreamento eficiente baseado no teste molecular.
"A genotipagem oferecida pelo teste molecular revelou que os tipos virais não têm o mesmo potencial oncogênico e distinguir os de maior risco permitiu a criação de algoritmos clínicos mais refinados, além do desenvolvimento de vacinas profiláticas muito bem direcionadas", ressalta a Dra. Louise. "Essa vacinação, aliada ao rastreamento molecular de alta precisão, lançou uma era em que a eliminação do câncer do colo do útero passou a ser uma meta factível em saúde pública, algo já recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como método primário", conclui.
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