Leitura infantil pede estímulo ativo diante do avanço das telas - Joana D'arc

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14 abril 2026

Leitura infantil pede estímulo ativo diante do avanço das telas


Dia Nacional do Livro Infantil traz de volta o debate sobre a importância da obra física no desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças

O Dia Nacional do Livro Infantil, celebrado em 18 de abril, coloca em pauta um desafio que vai além dos lares e das salas de aula. O avanço das telas mudou a forma como as crianças se relacionam com a informação e reduziu o tempo dedicado ao livro físico, ao mesmo tempo em que educadores observam que a leitura impressa segue como base importante no desenvolvimento da linguagem, da imaginação e da capacidade de concentração, habilidades que pedem tempo, continuidade e envolvimento.

“O contato com o livro pode ser comparado a uma caminhada longa, em que cada página ajuda a construir sentido e memória. Já a navegação em telas tende a funcionar como uma sucessão de atalhos, que informam rápido, mas nem sempre aprofundam, um contraste que desafia professores e famílias a reorganizar rotinas e criar momentos que façam sentido para as crianças, sem afastá-las totalmente da tecnologia, mas facilitando um equilíbrio”, explica a pedagoga e mestre em Educação Marizane Piergentile.

Ainda de acordo com a educadora, quando a criança tem contato frequente com o livro físico, ela aprende a sustentar a atenção, a imaginar cenários e a organizar o pensamento. A leitura não acontece apenas nos olhos, ela acontece no corpo inteiro, no tempo de virar a página, de acompanhar a história e de se reconhecer nela. O excesso de telas encurta esse processo e pode dificultar a construção desse vínculo. 

Na prática, esse incentivo precisa ganhar espaço na rotina. A Rede de Educação Adventista no Vale do Paraíba desenvolve o projeto “Ler é uma Aventura”, onde alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental levam semanalmente um livro para casa. A proposta também envolve as famílias e contribui para a ampliação do repertório, vocabulário e capacidade de interpretação das crianças, com uma média de leitura em torno de 30 livros por ano. 

“O papel da escola e da família é mostrar que uma coisa não substitui a outra, o livro não é uma obrigação, mas uma descoberta, é preciso criar espaços de leitura no dia a dia, ler junto, dar o exemplo e respeitar o tempo de cada criança para que esse hábito se torne natural”, afirma Marizane, que também é diretora da Rede de Educação Adventista no Vale do Paraíba. 

Outro ponto de atenção destacado por especialistas está na formação do hábito desde os primeiros anos. A presença de livros acessíveis, a escolha de histórias adequadas à faixa etária e o envolvimento dos adultos no momento da leitura ajudam a transformar esse contato em uma rotina prazerosa. A repetição do gesto ao longo do tempo fortalece o vínculo com o livro e amplia as chances de a criança levar esse comportamento para a vida adulta.

 

 

Sobre o Adventista - A Rede Adventista de Educação integra um dos maiores sistemas privados de ensino do mundo, presente em mais de 100 países e formado por milhares de instituições educacionais. No Brasil, a rede reúne centenas de unidades e oferece ensino desde a educação infantil até o superior, com uma proposta pedagógica voltada à formação integral do estudante. O modelo segue a educação confessional, que integra excelência acadêmica à formação baseada em valores.

Tecnologia educacional, desenvolvimento socioemocional e atividades culturais, esportivas e comunitárias fazem parte da rotina com o objetivo de estimular autonomia, pensamento crítico e convivência cidadã no ambiente escolar.

No estado de São Paulo, as unidades são organizadas por regionais administrativas, que acompanham a aplicação do sistema pedagógico e garantem a qualidade acadêmica. No Vale do Paraíba, a rede é coordenada pela Associação Paulista do Vale (APV), que gerencia nove escolas nas cidades de Lorena, Taubaté, São José dos Campos, Jacareí, Guarulhos (duas unidades), Caraguatatuba, Bragança Paulista e Mogi das Cruzes. A décima unidade da regional está em processo de implantação em Atibaia e tem previsão de funcionamento para 2027. 

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