Lideranças femininas ressignificam Pombagira como símbolo de decisão, autonomia e presença - Joana D'arc

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30 agosto 2025

Lideranças femininas ressignificam Pombagira como símbolo de decisão, autonomia e presença

Celebrada em agosto nos terreiros de matriz africana, a entidade inspira um movimento feminino que une fé, autoconhecimento e poder pessoal

Em agosto, mês em que Pombagira é celebrada nos terreiros de matriz africana, um arquétipo feminino potente ganha novas camadas de sentido: o da mulher que comanda, deseja e escolhe com autonomia. Longe dos estigmas que a associam à vulgaridade ou à sedução desmedida, a figura de Pombagira tem sido resgatada como símbolo de poder pessoal, coragem e consciência.


Cada vez mais, mulheres empreendedoras, líderes comunitárias e profissionais de diferentes áreas têm recorrido à espiritualidade como força de sustentação de suas trajetórias.


É o caso da comunicadora Andrine Herrero, bailarina, coach em psicologia positiva e mulher de axé. Para ela, a espiritualidade afro-brasileira é mais que uma prática religiosa: é uma filosofia que sustenta sua atuação profissional e a forma como lidera suas relações, projetos e escolhas. “A minha espiritualidade me permite manter o coração aberto mesmo quando é preciso ser firme. Pombagira me ensina a sustentar o que sinto com clareza e a tomar decisões com verdade —sem me violentar e sem precisar agradar”, afirma.


A presença feminina na liderança tem crescido, mas ainda enfrenta desafios estruturais. Dados do IBGE apontam que mulheres ocupam apenas 37,4% dos cargos gerenciais no Brasil, e quando se recorta por raça, as desigualdades se aprofundam. Nesse cenário, a valorização da ancestralidade e da sabedoria espiritual se torna, também, uma forma de romper com modelos excludentes e masculinizados de gestão.


“Eu não quero liderar como um homem, quero liderar como mulher. Quero liderar com afeto, com limites e com corpo presente. Pombagira me ensina que é possível ser inteira, ocupar espaço e continuar conectada com a minha essência”, destaca Andrine.


Sua fala ecoa uma tendência crescente entre mulheres que vêm redesenhando os contornos da liderança: menos sobre comando, mais sobre coerência; menos sobre rigidez, mais sobre responsabilidade emocional. Para essas mulheres, acessar Pombagira não é apenas um gesto de fé, é também uma forma de ativar sua própria força, de afirmar que há sabedoria no prazer, no corpo, na escuta e na intuição.


“Muitas vezes nos dizem que sentir é fraqueza. Mas a minha força está justamente na minha sensibilidade. Liderar, para mim, é sustentar o sim e o não com consciência, é viver com presença e sem disfarces”, finaliza Andrine.

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