Dermatologista explica porque cada vez mais mulheres acima de trinta anos, estão sofrendo com o surgimento da acne
A acne é uma condição comum da pele, principalmente em jovens e adolescentes devido as alterações hormonais. É causada por uma combinação de fatores, incluindo produção excessiva de óleo (sebo), acúmulo de células mortas da pele e crescimento bacteriano.
Embora seja uma característica comum na fase da adolescência, dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) estima que 56% da população adulta sofre com a acne, principalmente em mulheres e pode persistir até mesmo após os 50 anos. De acordo com a dermatologista Paula Sian, o tratamento da doença em mulheres maduras pode ser mais difícil devido a diversos fatores que diferem da acne na adolescência, como causas hormonais, estresse e sensibilidade a certos produtos, além de poder ser mais inflamatória e persistente.
Alguns fatores como causas hormonais, estresse devido a produção de cortisol entre outros hormônios, uso de cosméticos inadequados e a auto medicação contribuem para o surgimento. Exemplo disso é a “moda” da suplementação para performance, saúde e estética, que se intensificou nos últimos tempos. “A cada dia surgem incontáveis ofertas de suplementação que prometem o cabelo perfeito, a pele perfeita, saciedade, equilíbrio e bem-estar e, muitas mulheres, por influência de amigas, resenhas, entre outros recursos, têm suplementado por conta própria, causando um desequilíbrio imenso no organismo e, no que se refere a saúde da pele, um aumento significativo do surgimento das acnes na fase adulta” – explica.
Uma das causas pouco abordadas é o uso de métodos contraceptivos hormonais, especialmente anticoncepcionais de uso continuo, como pílulas a base de progesterona e DIUs hormonais. Para evitar a menstruação, cólicas, tratamento de endometriose ou a simples vontade de não sangrar, muitas mulheres acabam optando por esses métodos e podem ter piora no quadro de oleosidade e acne.
O principal desafio no combate está na resistência aos tratamentos convencionais, já que a acne adulta tende a ser mais inflamatória, com lesões mais profundas e dolorosas, o que dificulta o tratamento, exigindo abordagens personalizadas e acompanhamento médico prolongado. As regiões mais afetadas são maxilar, pescoço e região periorbital.
A dermatologista explica que por se tratar de uma doença crônica exige cuidados contínuos que incluem acompanhamento médico e cuidados realizados por profissionais capacitados. “ Parece besteira, mas um dos fatores que mais agravam as lesões é a manipulação, então é essencial, principalmente para evitar cicatrizes e inflamações, que o paciente não aperte a espinha” aconselha Paula.
Hoje, o mercado disponibiliza diversos tratamentos como medicamentos tópicos, orais e procedimentos dermatológicos. O primeiro passo é passar por uma avaliação médica para identificar as causas. Retinoides, ácido salicílico, peróxido de benzoíla e outros produtos específicos para o controle da oleosidade e inflamação são ótimos aliados. Peelings químicos, lasers e terapia fotodinâmica complementam os cuidados, além de manter uma rotina de limpeza, hidratação e proteção. Já em casos mais graves, podem ser prescritos medicamentos como antibióticos, isotretinoína ou anticoncepcionais, de acordo com o diagnóstico.
Por fim, a médica recomenda que para evita-las é importante manter a pele limpa por meio de cuidados específicos para cada tipo de pele, com produtos que não obstruam os poros, além de evitar tocar no rosto para não transferir bactérias e principalmente manter uma dieta equilibrada com baixo índice glicêmico. E, se mesmo assim, a doença insistir em se manifestar, o ideal é consultar um médico dermatologista antes de se aventurar em tratamentos e cuidados que prometem efeitos extraordinários.
Dra. Paula Sian (Dermatologista)
Dermatologista desde 2007, Paula Sian Lopes é formada pela Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP), onde também fez residência em Clínica Médica e Dermatologia. Especializou-se em Farmacodermia e Dermatoses Imuno Ambientais na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e em Medicina Chinesa e Acupuntura na Associação Médica Brasileira de Acupuntura (AMBA).
Desde 2011, Paula atende em seu consultório próprio com o viés em Dermatologia clínica, estética e cirúrgica, tanto para adultos como para crianças. Além disso, a especialista realizou serviços voluntários no ambulatório de alergias da UNIFESP, de 2013 a 2017.
A médica também é escritora e acaba de lançar o “Um burnout para chamar de seu”, um livro que relata, pelo ponto de vista do paciente, como é conviver com o burnout.
CRM: 111963-SP RQE Nº: 38348
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