Psiquiatra da SegMedic destaca que inclusão de pessoas com TEA passa por saúde, orientação e preparo das empresas para acolher a neurodiversidade
O mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), conhecido como Abril Azul, amplia o debate sobre inclusão, diagnóstico e qualidade de vida das pessoas autistas. Em um cenário em que o tema vem sendo cada vez mais discutido, a campanha reforça a importância da informação e do combate ao preconceito, não apenas no contexto familiar e educacional, mas também no ambiente de trabalho.
Para Dra. Nathanny Cabral, psiquiatra da SegMedic - rede de clínicas ambulatoriais do Rio de Janeiro -, esse movimento também precisa ser tratado sob o viés da saúde. Segundo a médico, a falta de informação e de preparo das empresas pode gerar impactos concretos no bem-estar de pessoas autistas e de outros profissionais neurodivergentes. “Quando o ambiente de trabalho não considera diferenças de comunicação, previsibilidade, sensibilidade sensorial e formas de interação, ele pode se tornar um espaço de sofrimento, ansiedade e esgotamento. Falar sobre autismo também é falar sobre acolhimento, prevenção e saúde mental”, afirma.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), autismo é um grupo diverso de condições relacionadas ao desenvolvimento do cérebro, com características que podem ser percebidas desde a infância, embora o diagnóstico nem sempre aconteça cedo. Já os dados mais recentes do CDC mostram que cerca de 1 em cada 31 crianças de 8 anos foi identificada com TEA nos Estados Unidos, um indicador frequentemente usado como referência internacional para dimensionar a relevância do tema.
No ambiente corporativo, o desafio vai além da contratação. Muitas pessoas autistas já estão no mercado de trabalho ou desejam ingressar nele, mas ainda enfrentam barreiras ligadas à desinformação, ao preconceito e à ausência de estruturas mais adaptadas às suas necessidades. Quando as empresas se estruturam para acolher a neurodiversidade, elas contribuem não apenas para a inclusão, mas também para a prevenção de adoecimentos relacionados ao trabalho, promovendo mais bem-estar, engajamento e permanência desses profissionais nas equipes.
Segundo a especialista, alguns sinais podem indicar que o ambiente profissional não está adequado às necessidades de uma pessoa neurodivergente.
Entre os principais pontos de atenção, estão:
- aumento de crises de ansiedade, irritabilidade ou sofrimento emocional recorrente;
- isolamento social acentuado ou dificuldade crescente de interação;
- queda repentina de produtividade ou dificuldade de concentração;
- sinais de exaustão, sobrecarga sensorial ou esgotamento mental;
- pedidos frequentes de afastamento ou sintomas físicos sem causa clínica aparente.
“Esses sinais não devem ser interpretados como falta de comprometimento. Muitas vezes, eles revelam sofrimento psíquico, excesso de estímulos ou inadequação do ambiente de trabalho, o que exige escuta qualificada, avaliação profissional e possíveis ajustes organizacionais”, completa a psiquiatra.
Nesse processo, a saúde ocupacional e o acompanhamento multiprofissional têm papel fundamental. A combinação entre avaliação clínica, escuta especializada e orientação técnica pode ajudar empresas a identificar fatores de risco e propor adaptações razoáveis, como ajustes em rotinas, ruído, iluminação e formas de comunicação. Esse olhar integrado, que pode envolver psicologia, medicina do trabalho, terapia ocupacional e psiquiatria, favorece intervenções mais precisas e ambientes mais funcionais, respeitosos e saudáveis.
O Abril Azul também chama atenção para erros ainda comuns na forma como o autismo é tratado dentro das organizações, como abordar o espectro de maneira homogênea, investir apenas na contratação, sem pensar em inclusão real e permanência, não capacitar lideranças e equipes e expor diagnósticos sem consentimento. Para a SegMedic, ampliar a informação sobre esses pontos é parte importante da promoção da saúde integral.
Nesse contexto, o Abril Azul também reforça a importância de ampliar o acesso à informação e ao cuidado ao longo do ano, especialmente quando o tema envolve saúde, acolhimento e inclusão. Para a SegMedic, a conscientização passa por fortalecer a orientação a empresas, pacientes e familiares, contribuindo para ambientes mais preparados e seguros. “Quando ampliamos o entendimento sobre o autismo e oferecemos orientação adequada, conseguimos avançar não só em inclusão, mas também em saúde e qualidade de vida. Esse é um movimento que precisa ser contínuo”, conclui a médica.
Sobre a SegMedic
A SegMedic é uma rede de clínicas ambulatoriais referência em assistência à saúde no estado do Rio de Janeiro, oferecendo mais de 25 especialidades médicas e mais de 3.000 tipos de exames laboratoriais e complementares. Conta com uma equipe médica altamente qualificada e uma infraestrutura moderna, segura e acolhedora. A empresa tem como missão cuidar das pessoas, proporcionando um serviço de saúde de qualidade a um valor acessível. O acesso à saúde é mais do que uma demanda: é uma necessidade essencial. O compromisso da SegMedic é garantir atendimento humanizado, eficiente e acessível para toda a população.

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