No mês de abril, acontece o Abril Azul, que visa trazer o debate sobre a conscientização mundial do autismo. Entre os desafios para aqueles que convivem com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a comunicação se torna uma barreira, principalmente a depender dos diferentes graus da condição.
A quebra de obstáculos com relação ao diálogo se torna, então, mais um movimento de inclusão de pessoas com o diagnóstico. De acordo com o Dr. João Grangeiro, diretor executivo da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), as dificuldades ainda podem passar pela interpretação de gestos, de expressões e de intenções, o que torna o desafio ainda maior. Ele alerta para o papel da sociedade no processo.
“É fundamental que nós estejamos dispostos a adaptar a forma de nos comunicarmos. É um processo que permite interações mais claras, objetivas e acolhedoras – além de dar autonomia ao autista. A ideia não é apenas reduzir barreiras, mas também estimular a participação de pessoas em diferentes espaços do cotidiano”, pontua.
O especialista preparou alguns caminhos para facilitar a comunicação com pessoas com TEA. Confira:
- Linguagem clara e objetiva
O ideal é que a comunicação tenha o uso de linguagem direta e sem muitas simbologias, o que facilita a compreensão por parte dos autistas.
- Fale no ritmo da pessoa
É necessário dar tempo para que ela processe a informação e responda. Também é interessante evitar interromper ou completar frases. Importante lembrar de que o tempo de resposta pode ser diferente, mas isso não significa falta de compreensão.
- Recursos visuais
Imagens, cartões, aplicativos ou até gestos podem ajudar muito na comunicação, especialmente para quem tem dificuldade na fala.
- Observe a comunicação não verbal
Nem toda comunicação acontece por palavras. Expressões faciais, movimentos corporais e comportamentos também são formas importantes de expressão.
- Rotina previsível de interação
Ambientes estruturados e previsíveis ajudam a reduzir a ansiedade e facilitam a comunicação.
- Valide tentativas de comunicação
Mesmo que não seja o ideal para o momento, é fundamental reconhecer e incentivar qualquer esforço de interação. Isso fortalece a confiança e estimula o desenvolvimento.
- Apoio profissional quando necessário
Fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais podem orientar estratégias personalizadas, com respeito às necessidades de cada pessoa.
Ainda segundo Dr. Grangeiro, é importante reforçar que a comunicação é uma via de mão dupla, em que o desafio pode aparecer para ambos os lados da conversa. Para ele, “pequenas adaptações podem facilitar a compreensão e construir relações mais respeitosas e acolhedoras”.
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