
Se você utiliza medicamentos agonistas de GLP-1, provavelmente já percebeu uma grande mudança na queda do apetite. Porém, quando a ingestão alimentar diminui, a qualidade nutricional da alimentação se torna ainda mais importante.
Os agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1) e os agonistas duplos que atuam tanto no receptor do GLP-1 quanto no receptor do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP) são terapias estabelecidas para o diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e a obesidade. Apesar dos benefícios metabólicos e da perda de peso significativa, estudos recentes têm chamado atenção para a possível redução de massa muscular durante o tratamento
A liraglutida foi uma das primeiras medicações agonistas do receptor de GLP-1 aprovadas para obesidade, comercializada principalmente como Saxenda para o tratamento da obesidade e como Victoza no tratamento do diabetes tipo 2.
A semaglutida, também agonista do receptor de GLP-1, é comercializada como Ozempic para diabetes tipo 2 e Wegovy para obesidade. Quando comparada à liraglutida, apresenta maior duração de ação e maior potência na redução do peso corporal.
GLP-1→↑saciedade ↓fome ↓ingestao caloˊricaperda de peso
Mais recentemente, a tirzepatida, comercializada como Mounjaro no tratamento do diabetes tipo 2 e Zepbound para obesidade, trouxe um novo avanço terapêutico ao atuar simultaneamente nos receptores de GLP-1 e do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP).
GLP-1+GIP→↑controle glicemico ↑saciedade ↓peso corporal
Novas terapias triplas vêm sendo desenvolvidas e estudadas. Entre elas, destaca-se a retatrutida, um agonista triplo que associa a ativação dos receptores de GLP-1, GIP e glucagon, buscando atuar simultaneamente sobre saciedade, gasto energético, metabolismo da glicose e oxidação de gordura.
GLP-1+GIP+Glucagon→↑gasto

Evolução das terapias incretínicas
- Primeira geração:
- liraglutida
- Segunda geração:
- semaglutida
- Nova geração:
- tirzepatida (GLP-1 + GIP)
- Futuro próximo:
- agonistas triplos (GLP-1 + GIP + glucagon)

Por isso proteínas e fibras se tornam essenciais.
A preservação da massa muscular também está relacionada à manutenção da funcionalidade, mobilidade e qualidade de vida, especialmente em indivíduos com maior risco de sarcopenia. Isso é importante porque o tecido muscular apresenta maior gasto energético quando comparado ao tecido adiposo, contribuindo para melhor composição corporal e manutenção do peso a longo prazo.
As fibras são fundamentais especialmente na saúde intestinal e no equilíbrio metabólico. Uma alimentação rica em fibras auxilia no bom funcionamento do intestino, favorece a diversidade da microbiota intestinal e contribui para a produção natural de hormônios intestinais relacionados à saciedade, incluindo o próprio GLP-1 endógeno. As fibras também contribuem para melhor resposta glicêmica e maior estabilidade metabólica ao longo do dia
Outro ponto importante é que os alimentos naturalmente ricos em fibras como frutas, verduras, legumes, grãos integrais e leguminosas também fornecem vitaminas, minerais, compostos bioativos e antioxidantes importantes para o organismo. Esses nutrientes contribuem para a redução de processos inflamatórios, para a saúde metabólica e para o funcionamento adequado do sistema imunológico.
Durante o uso dos agonistas de GLP-1, as fibras também ajudam a minimizar sintomas gastrointestinais, especialmente a constipação, um dos efeitos colaterais mais frequentes dessa classe de medicamentos. Quando associadas à hidratação adequada, favorecem melhor trânsito intestinal e mais conforto digestivo.
Como melhorar a ingestão nutricional durante o tratamento
Durante o uso dos agonistas de GLP-1, as pessoas apresentam redução importante do apetite, saciedade precoce, náuseas e desconfortos gastrointestinais. Por isso, quando a ingestão alimentar diminui, torna-se ainda mais importante priorizar alimentos com alta densidade nutricional e preparações estratégicas ao longo do dia.
Fracionar a alimentação em até cinco ou seis pequenas porções pode ajudar na adaptação ao tratamento, já que pequenos volumes costumam ser mais bem tolerados quando comparados a refeições grandes e volumosas.
Além disso, algumas estratégias simples podem auxiliar no controle das náuseas. Utilizar limão para temperar saladas, proteínas e vegetais pode ser uma alternativa interessante durante esse período. O uso de alimentos mais ácidos pode ajudar a reduzir o desconforto gastrointestinal.
Também é importante priorizar proteínas magras e de fácil digestão como frango sem pele, ovos cozidos e carne bovina sem gordura aparente sempre assadas ou grelhadas com ervas e especiarias, evitando preparações muito gordurosas, frituras, que podem intensificar sintomas como náuseas, refluxo e sensação de estômago pesado.
Outra estratégia importante é inovar nas preparações. Smoothies preparados com whey protein e frutas congeladas, podem ser opções práticas, leves, nutritivas e proteicas.
Iogurtes proteicos bem gelados, sopas enriquecidas com proteína como frango desfiado ou aveia proteica costumam apresentar boa aceitação em pacientes com maior sensibilidade gastrointestinal.
Além disso, manter boa hidratação ao longo do dia é fundamental durante o uso dos agonistas de GLP-1. A ingestão adequada de líquidos auxilia no funcionamento intestinal, ajuda a minimizar sintomas como constipação, náuseas e sensação de estômago pesado, além de contribuir para o equilíbrio metabólico e o bom funcionamento do organismo. Em muitos casos, devido à redução do apetite e até da percepção de sede, a ingestão hídrica pode acabar diminuindo durante o tratamento, tornando ainda mais importante a atenção ao consumo regular de água ao longo do dia.

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