Cia Ludens estreia Uma velha canção, quase esquecida, da autora irlandesa Deirdre Kinahan, em maio no Sesc Pompeia - Joana D'arc

Destaque

28 abril 2026

Cia Ludens estreia Uma velha canção, quase esquecida, da autora irlandesa Deirdre Kinahan, em maio no Sesc Pompeia

Com direção e tradução de Domingos Nunez, espetáculo investiga a demência progressiva no Alzheimer a partir do drama de um ator que tenta a todo custo preservar sua memória

Foto de Ronaldo Gutierrez




Concebida para ser representada por dois atores, a versão mais velha e mais jovem do mesmo homem, Uma velha canção, quase esquecida, da autora irlandesa Deirdre Kinahan, propõe uma reflexão sobre a doença de Alzheimer. O espetáculo da Cia Ludens, com tradução e direção de Domingos Nunez, tem sua temporada de estreia no Sesc Pompeia de 2 a 24 de maio, com sessões às quartas, quintas e sábados, às 20h, às sextas, às 16h e às 20h, e aos domingos, às 18h.

A peça narra a jornada para dentro da alma e da vida de um velho ator, interpretado por Genezio de Barros, que, vivendo com Alzheimer, escreve obstinadamente, na tentativa de manter na memória os registros de pessoas e fatos que marcaram a sua história. Durante um concerto no asilo onde mora, impulsionado pela música e auxiliado pela duplicação mais jovem de si mesmo, papel de Iuri Saraiva, ele tenta reconstruir sua carreira e relembrar de sua família e seus amores.

Escrita em 2023, com o título original de An Old Song, Half Forgotten, a peça estreou no palco Peacock do Abbey Theatre, o teatro nacional da Irlanda, em 14 de abril de 2023, e foi publicada na coletânea de peças curtas de Deirdre Kinahan, Shorts – Five Plays, pela editora Nick Hern Books, de Londres, no mesmo ano. 

O texto propõe investigar a demência progressiva que afeta irrecuperavelmente a memória e o comportamento daqueles acometidos pelo Alzheimer. Evidenciando esse processo degenerativo, com o protagonista muitas vezes metalinguisticamente lendo as falas escritas por ele mesmo – em seu esforço para não esquecer fatos e sensações de sua trajetória – a encenação pretende explorar a relação desse homem consigo mesmo que, por intermédio de sua duplicação, identifica e interpreta as pessoas e peças que marcaram a sua vida e sua carreira de ator. No entanto, mesmo essas anotações escritas não são garantias de que os acontecimentos e indivíduos ficarão retidos na lembrança. 

Tanto a criação musical contundente da montagem, assinada pelo violonista brasileiro Mario da Silva, quanto a partitura verbal transposta para o português são aspectos de suma importância neste texto curto de grande intensidade poética, uma vez que os episódios e as figuras surgem a partir delas e os sentimentos e atmosferas são igualmente desencadeados e sublinhados por elas em seus diversos timbres, ritmos e possibilidades sonoras. 

Desde o início os músicos Aline Reis, Mafê e Vinícius Leite estão em cena. Em um primeiro momento, eles parecem estar simplesmente tocando um concerto na casa de repouso onde vive o protagonista, mas, gradativamente, entende-se que se trata também de uma projeção da mente do protagonista, de mais uma possibilidade, como a palavra escrita, de organizar e reter as recordações de uma mente confusa acerca do tempo presente e de ocorrências do passado. 

A investigação pretende explorar as manifestações sonoras de uma maneira mais ampla, não restringindo sua materialização apenas às execuções de partituras musicais, mas expandindo seu campo de combinações às estruturas, ritmos e significados linguísticos suscitados pelo Alzheimer e pela palavra escrita, além dos recursos dos sons fomentados pela cena e pelas sonoridades do silêncio.

Sobre a autora

Deirdre Kinahan nasceu em Dublin, em 1968 e atualmente reside no condado de Meath. Fundou e dirigiu por 15 anos a Cia teatral Tall Tales, escrevendo e produzindo diversas peças teatrais para a Companhia. Tem colaborado ao longo dos anos com os principais teatros em atividade na Irlanda e no circuito internacional. 

Atuou como membro do conselho do Theatre Forum Ireland e do Abbey Theatre e é membro da Aosdána, um corpo de artistas condecorados por sua notável contribuição à vida cultural irlandesa. 

Autora de inúmeras peças desde 1999, e com diversos prêmios no currículo, teve Knocknashee – a colina das fadas, peça de 2002, publicada no Brasil em 2025 pela editora Iluminuras, com tradução de Beatriz Kopschitz Bastos e Lúcia K. X. Bastos. Este texto, juntamente com outros quatro de autores contemporâneos, também publicados pela editora Iluminuras, fizeram parte do V Ciclo de Leituras da Cia Ludens: Teatro Irlandês, deficiência e protagonismo.

Ficha Técnica

Dramaturgia Original: Deirdre Kinahan 

Curadoria: Beatriz Kopschitz Bastos 

Tradução e Direção Artística: Domingos Nunez

Elenco: Genezio de Barros e Iuri Saraiva


Trilha Sonora Original: Mario da Silva

Direção Musical: Vinícius Leite

Músicos em Cena: Aline Reis, Mafê e Vinícius Leite


Figurinos: Chico Cardoso 

Costureira: Lili Santa Rosa 

Cenografia: Marisa Rebollo

Cenotecnia: Alício Silva/ Casa Malagueta

Designer de Luz e Operação Técnica: Zerlô

Técnico de Som: Valdilho Oliveira 


Fotografia Artística: Ronaldo Gutierrez

Identidade Visual: Dalua Criações

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Captação e Edição: Ícarus Filmes

Tradução em Libras: Fabiano Campos


Produção Executiva: Luísa Silva

Direção de Produção: André Roman

Produção: Cia Ludens / Teatro de Jardim 

Sinopse

A peça é uma jornada para dentro da alma e da vida de um velho ator, que, vivendo com Alzheimer, escreve obstinadamente na tentativa de manter na memória os registros de pessoas e fatos que marcaram a sua história. Durante um concerto no asilo onde mora, impulsionado pela música e auxiliado pela duplicação mais jovem de si mesmo, ele tenta reconstruir sua carreira e relembrar de sua família e seus amores.

Serviço

Uma velha canção, quase esquecida, de Deirdre Kinahan

Temporada: 2 a 24 de maio de 2026

Quartas, quintas e sábados, às 20h; sextas-feiras, às 16h e às 20h; e domingos, às 18h (sessões em Libras nos dias 8, 15 e 22/5)

Sesc Pompeia -  Rua Clélia, 93, Pompeia, São Paulo

Ingressos: R$60 (inteira), R$30 (meia-entrada) e R$18 (credencial plena)

Vendas online em sescsp.org.br e presencialmente nas bilheterias de qualquer unidade do Sesc São Paulo

Classificação: 12 anos

Duração: 70 minutos

Capacidade: 302 lugares


Acessibilidade: espaço acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.


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