O câncer de pele é o tipo de tumor mais frequente no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o país deve registrar cerca de 263 mil novos casos de câncer de pele não melanoma por ano, número que representa aproximadamente 30% de todos os tumores malignos diagnosticados. Considerando todos os tipos de câncer, a projeção é de 781 mil novos casos anuais no próximo triênio 2026-2028.
Apesar da alta incidência, ainda há dúvidas e informações equivocadas sobre a doença, desde quem pode desenvolver o tumor até quais sinais devem acender o alerta.
De acordo com o dermatologista Dr. Matheus Rocha, que atua no diagnóstico e tratamento cirúrgico de tumores cutâneos, o principal desafio é a falsa sensação de que o câncer de pele é sempre simples ou facilmente perceptível.
“É um câncer muito comum, mas ainda cercado de mitos. Nem sempre dói, nem sempre começa como uma pinta escura e não atinge apenas quem vai à praia com frequência. Quanto mais cedo a população entende os sinais de alerta e os fatores de risco, maiores são as chances de diagnóstico precoce e cura”, afirma.
O câncer de pele se divide em dois grandes grupos. O não melanoma é o mais comum e inclui o carcinoma basocelular, geralmente de crescimento mais lento, e o carcinoma epidermóide, que pode ter comportamento mais agressivo, com maior potencial de invasão.
Já o melanoma, embora represente cerca de 4% dos casos, é considerado o mais grave por ter maior capacidade de se espalhar para outros órgãos.
Segundo Rocha, entender essa diferença é fundamental para reduzir atrasos no diagnóstico.
“O melanoma pode evoluir rapidamente se não for identificado no início. Por isso, qualquer alteração na pele deve ser observada com atenção.”
A seguir, o especialista esclarece 11 dúvidas frequentes:
1. Só quem se expõe muito ao sol pode ter câncer de pele
Mito.
A exposição excessiva aos raios ultravioleta é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pele, especialmente nos horários de maior intensidade solar, entre 10h e 16h. No entanto, predisposição genética e histórico familiar também influenciam.
“Pacientes com familiares de primeiro grau diagnosticados devem manter acompanhamento regular”, orienta Rocha.
2. Protetor solar ajuda a prevenir
Verdade.
O uso regular reduz os danos causados pela radiação ultravioleta, que provoca mutações nas células da pele.
“O ideal é FPS 50 ou superior, reaplicado a cada duas horas quando ocorre exposição solar continua. E o filtro não substitui chapéu, óculos escuros e busca por sombra”, diz o médico.
3. Só pessoas de pele clara desenvolvem câncer de pele
Mito.
Embora o risco seja maior em pessoas de pele clara, a doença pode atingir qualquer etnia.
4. É uma doença exclusiva de idosos
Mito.
A incidência aumenta com a idade devido ao efeito cumulativo do sol e devido ao envelhecimento, mas o melanoma e também o câncer de pele não melanoma tem sido diagnosticado com aumento de incidência também em adultos jovens.
5. Queimaduras na infância aumentam o risco na vida adulta
Verdade.
Os danos da radiação UV são acumulativos. Episódios intensos de queimadura solar na infância elevam significativamente o risco futuro.
Por isso, o médico reforça a importância da proteção desde os primeiros anos de vida.
“O efeito da radiação é acumulativo. Cada episódio de queimadura conta na história da pele”, diz.
6. Os sintomas são sempre visíveis
Mito.
Ao contrário do que muitos imaginam, o câncer de pele nem sempre provoca dor ou coceira nas fases iniciais. Em alguns casos, a lesão pode ser discreta e passar despercebida.
Uma das estratégias de identificação precoce do melanoma é a regra do ABCDE:
- A: Assimetria
- B: Bordas irregulares
- C: Cores variadas
- D: Diâmetro acima de 5 mm
- E: Evolução da lesão
“Mudança é o principal sinal de alerta. Se uma pinta cresce, muda de cor ou formato, é hora de procurar avaliação”, orienta.
7. Melanoma é sempre uma pinta preta
Mito.
Existem melanomas sem pigmentação escura, o que pode atrasar o diagnóstico.
8. Manchas vermelhas podem ser câncer
Verdade.
Feridas que não cicatrizam, manchas avermelhadas que descamam ou sangram e lesões persistentes também devem ser investigadas.
9. O diagnóstico é feito apenas por biópsia
Depende.
A suspeita pode surgir no exame clínico e na dermatoscopia. A biópsia confirma o diagnóstico.
10. Dor é sinal comum da doença
Nem sempre.
A maioria dos tumores de pele não causam dor.
11. É fácil de tratar e não precisa de acompanhamento
Depende.
Quando identificado precocemente, o tratamento costuma ser clínico, mas na maioria das vezes envolve a remoção da lesão, o diagnóstico precoce possui altas taxas de cura. No caso do melanoma avançado, pode envolver terapias complementares.
Mesmo após a retirada da lesão, o acompanhamento é essencial.
“Quem já teve câncer de pele precisa manter vigilância contínua. O histórico aumenta o risco de novas lesões”, explica Rocha.
Diagnóstico precoce salva vidas
Segundo o especialista, o grande desafio ainda é fazer com que as pessoas procurem avaliação médica diante de alterações aparentemente pequenas.
“Uma pinta que mudou, uma ferida que não cicatriza ou uma mancha diferente devem ser investigadas. No câncer de pele, o tempo é um fator decisivo.”
Com alta incidência no país e forte relação com hábitos cotidianos, o câncer de pele segue como um problema relevante de saúde pública. Informação e prevenção continuam sendo as principais estratégias para reduzir o impacto da doença.
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