Leitura guiada sobre tecnologia antecipa conversa em casa e reduz risco digital - Joana D'arc

Destaque

04 março 2026

Leitura guiada sobre tecnologia antecipa conversa em casa e reduz risco digital


Livros infantis surgem como alternativa para pais educarem sobre segurança online de forma lúdica, prevenindo incidentes em uma geração conectada desde a primeira infância

Livros infantis estão se tornando aliados de pais que querem antecipar conversas sobre golpes, exposição e cyberbullying antes que o primeiro incidente aconteça. Com 82% das crianças brasileiras de 6 a 8 anos já conectadas à internet,  o que corresponde ao  dobro de 2015, iniciativas como o livro “O Cibernauta em a Super Senha Secreta”, criado por Daniel Meirelles, especialista em Segurança da Informação e pelo economista Eduardo Argollo, propõe transformar a leitura infantil em ferramenta preventiva de educação digital dentro de casa.

A exposição precoce tem ampliado riscos, só em 2024, a SaferNet identificou quase 49 mil páginas com indícios de abuso sexual infantil online, enquanto tentativas de golpes contra jovens de até 25 anos cresceram 43% no início de 2025. Para o economista Eduardo Argollo, os números indicam uma mudança estrutural. “Estamos diante de uma geração que aprende a deslizar a tela antes de aprender a escrever. Ignorar isso não protege, apenas adia o enfrentamento”, diz.

Diante disso, especialistas têm apontado um padrão recorrente, de que muitas famílias só passam a falar de segurança digital depois de um episódio concreto, como a exposição de uma foto, uma mensagem de desconhecido em jogo, um golpe financeiro ou um caso de humilhação entre colegas. A reação costuma ser imediata e restritiva, com retirada de aparelhos ou bloqueio total do acesso, mas raramente vem acompanhada de orientação contínua. “A proibição isolada pode até interromper o uso por um período, mas não ensina a criança a agir quando estiver sozinha diante da tela”, observa Meirelles.

Além da reação: a necessidade de prevenir

Proibir o uso da tecnologia tende a produzir um efeito limitado. Ao não compreender os riscos, a criança pode reproduzir comportamentos inseguros quando volta a ter acesso, muitas vezes sem supervisão. Já a educação para o uso consciente parte do princípio de que a tecnologia faz parte da rotina e que o aprendizado sobre limites, escolhas e consequências precisa acontecer desde cedo, de forma progressiva e contextualizada. “Educar para o uso consciente é explicar o porquê das regras, não apenas impor limites. Quando há entendimento, há autonomia responsável”, afirma Argollo.

A dificuldade de abordar o tema na linguagem certa para cada idade é um dos principais problemas. Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil mostram que a mediação de pais e responsáveis segue como peça central para reduzir vulnerabilidades, mas muitas vezes se limita a proibição, bloqueios ou ao tempo de tela, deixando de lado explicações sobre senhas, dados pessoais e pedidos urgentes que circulam em apps e jogos. Segundo Meirelles, “segurança digital não começa com aplicativo de controle parental, começa com diálogo claro e repetido”.

Literatura como ferramenta de cidadania

É nesse ponto que a leitura mediada tem ganhado espaço como ferramenta preventiva. Em vez de começar a conversa por regras, os livros infantis sobre vida digital criam um roteiro para falar de situações comuns, sem transformar o celular em tabu. A lógica é usar história, personagem e conflito para ensinar comportamento, não apenas técnica: por que não se deve compartilhar senha, o que fazer ao receber link de recompensa em jogo, quando procurar um adulto e como reconhecer pedidos inadequados.

O livro “O Cibernauta em a Super Senha Secreta”, foi desenhado para crianças de 6 a 10 anos, com esse objetivo de servir como porta de entrada para conversas em família. Para Argollo, o ganho está em trocar o medo pela compreensão. “A criança passa a agir com mais consciência, não por medo, mas por entendimento”, diz

Essa abordagem ajuda a enfrentar um desafio que atinge todas as idades. Segundo o DataSenado, 24% dos brasileiros acima de 16 anos foram vítimas de golpes digitais recentemente, o que mostra que a insegurança com a tecnologia é comum a muitos adultos, tornando o diálogo com os filhos uma tarefa ainda em construção. Esse cenário de vulnerabilidade é reforçado por dados da Febraban, que registrou perdas de R$ 10,1 bilhões com fraudes eletrônicas em 2024. Esses números mostram que a proteção digital é uma necessidade coletiva, que começa na formação de hábitos seguros desde cedo para evitar prejuízos que pesam no bolso e na rotina das famílias.

Para Meirelles, a diferença entre proibir e educar é o que define o efeito preventivo. “A educação digital começa no diálogo cotidiano”, afirma. A ideia, segundo ele e Argollo, é que livros e leituras compartilhadas funcionem como ensaio geral, quando o primeiro risco aparecer, a criança já terá repertório para interromper a ação, pedir ajuda e evitar decisões impulsivas.

 

Sobre Daniel Meirelles
Daniel Meirelles é gestor sênior de tecnologia, com mais de 20 anos de experiência em Segurança da Informação, com atuação destacada no setor financeiro brasileiro. Especialista em Transformação Digital e Inteligência Artificial Generativa pelo MIT e certificado em Cybersecurity pela ISC2, construiu carreira voltada à proteção de dados, governança digital e mitigação de riscos cibernéticos. É coautor e idealizador do projeto O Cibernauta, criado a partir da vivência como pai e da preocupação com a educação digital infantil.

Para saber mais, acesse o Linkedin ou pelo site.

 

Sobre Eduardo Argollo
Eduardo Argollo é economista, com mestrado em Administração de Empresas pela Université de Bordeaux, e acumula mais de 17 anos de experiência em grandes organizações nacionais e internacionais dos setores de gestão, saúde e seguros. Atuou em posições de liderança em projetos estratégicos, PMO e processos de integração pós-aquisição em empresas como PwC, Vale, Rede D’Or São Luiz, DaVita, Grupo H+, Oncoclínicas, entre outras. Coautor e idealizador do projeto O Cibernauta, contribui com a visão de gestão, educação e impacto social voltada à formação de cidadãos digitais desde a infância.

Para saber mais, acesse o Linkedin ou pelo site.

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