TDAH e Memória: por que adultos esquecem mais e como lidar com isso? - Joana D'arc

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17 outubro 2025

TDAH e Memória: por que adultos esquecem mais e como lidar com isso?


Neurologista Matheus Trilico, referência nacional em adultos com TDAH e autismo, explica como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade impacta a memória, as diferenças entre homens e mulheres, a influência da idade e dá dicas para minimizar os efeitos no dia a dia.

 

Perder objetos, esquecer compromissos ou não lembrar detalhes importantes são situações comuns para quem convive com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) na fase adulta. Porém, esses episódios que podem parecer “apenas esquecimentos” na rotina, refletem desafios reais no funcionamento do cérebro.

 

“O TDAH não afeta diretamente a memória no sentido tradicional, como acontece em quadros de demência, por exemplo. O que ocorre é uma falha na atenção sustentada, que prejudica o processo de codificação da informação e isso dá a sensação de ‘esquecimento”, explica o neurologista Dr. Matheus Trilico.

 

De acordo com o neurologista, existem três tipos principais de memória: de trabalho, de curto prazo e de longo prazo. Em pacientes com TDAH, a memória de trabalho, usada para manter informações temporárias em mente, é a mais afetada.

 

“Imagine tentar lembrar um número de telefone enquanto alguém te interrompe com outra informação? Esse tipo de desafio é constante para quem tem TDAH”, exemplifica Trilico.

 

Diferenças entre homens e mulheres

O impacto do TDAH na memória pode variar entre gêneros. “Homens apresentam sintomas mais evidentes de hiperatividade e impulsividade, que prejudicam a concentração e organização. Já as mulheres tendem a ter sintomas mais sutis e internalizados, como desatenção e distração, o que pode atrasar o diagnóstico e tornar o prejuízo na memória mais silencioso, mas igualmente significativo”, explica o neurologista.

 

Influência da idade

À medida que o adulto com TDAH envelhece, os desafios na memória podem se intensificar, principalmente se o transtorno não for tratado. “O envelhecimento natural já reduz a capacidade de memória, e o TDAH potencializa essas dificuldades”, alerta Dr. Trilico.

 

Quando procurar ajuda

Se os esquecimentos passam a interferir no trabalho, nas relações pessoais ou nas atividades diárias, é fundamental buscar avaliação especializada para diagnóstico correto e intervenções adequadas.

“O diagnóstico tardio é comum, e muitas pessoas só descobrem o TDAH na idade adulta, ao investigarem problemas como baixa produtividade, dificuldades de memória ou quadros depressivos”, acrescenta o neurologista.

 

Dicas para lidar com as dificuldades de memória no TDAH

  • Use lembretes digitais, como alarmes e agendas eletrônicas;
  • Faça listas para organizar as tarefas do dia;
  • Mantenha objetos pessoais sempre no mesmo lugar
  • Pratique técnicas de atenção plena (mindfulness) para melhorar o foco;
  • Divida tarefas grandes em pequenas etapas para facilitar o acompanhamento;
  • Busque acompanhamento multidisciplinar: neurologista, psicólogo e terapeuta ocupacional.

 

“O cérebro de quem tem TDAH funciona de maneira diferente, mas isso não significa que é menos capaz. Com diagnóstico correto e suporte adequado, é possível minimizar as dificuldades e viver com mais leveza e autonomia”, conclui o neurologista Matheus Trilico.

 

 

 

 

Dr. Matheus Luis Castelan Trilico - CRM 35805PR, RQE 24818.

 

  • Médico pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA);

 

  • Neurologista com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR);

 

  • Mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR

 

  • Pós-graduação em Transtorno do Espectro Autista

 

Mais artigos sobre TEA e TDAH em adultos podem ser vistos no portal do neurologista: https://blog.matheustriliconeurologia.com.br/

 

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