Troca de cartas amorosas entre uma mulher e um serial killer inspira peça de teatro 'Cartas da Prisão' - Joana D'arc

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03 agosto 2022

Troca de cartas amorosas entre uma mulher e um serial killer inspira peça de teatro 'Cartas da Prisão'

Crédito: Lyvia Gamerc



Depois de ser concebido em uma versão online, o espetáculo Cartas da Prisão, com texto de Nanna de Castro, estreia no dia 5 de agosto no Sesc Santo André, com apresentações às sextas e aos sábados, às 20h00. O solo, dirigido por Bruno Kottÿ e estrelado por Chica Portugal, é uma espécie de documentário cênico que mistura ficção com relatos reais de mulheres que sofreram diferentes formas de abuso de seus companheiros.


Em cena, Chica Portugal dá vida a uma atriz-performer chamada Rita, que realiza um espetáculo a partir de suas pesquisas sobre relacionamentos abusivos. O fio condutor da peça da personagem são cartas que foram encontradas debaixo do colchão de um presidiário em uma penitenciária de São Paulo. Trata-se da correspondência amorosa entre uma mulher que assina como “M” e um psicopata conhecido como “o maníaco da flor”, condenado por matar esquartejar mais de 40 mulheres.


A partir das cartas, Rita revela o relacionamento abusivo que viu a própria mãe viver com seu pai, o que fez a protagonista sair de casa muito jovem. O público acompanha a evolução do relacionamento entre “M” e o “maníaco da flor” e o desgaste da relação entre Rita e sua mãe – incapaz de deixar o relacionamento abusivo. E as histórias destas mulheres vão se tornando cada vez mais parecidas.


Rita também traz para a cena depoimentos reais de outras mulheres que viveram experiências amorosas com abusadores, além de materiais diversos de pesquisa sobre o tema. Na colcha de retalhos que vai se formando entre todas as histórias, ela questiona a si mesma e o público sobre nossas possíveis e inimagináveis relações com o abuso como indivíduos e como sociedade.


“Usamos a pesquisadora [Rita] como metalinguagem para que a atriz [Chica Portugal] se relacione diretamente com o público, quebrando, assim, a quarta parede, num misto de contação de história e palestra ficcional. Ao contrário da versão em vídeo, teremos a caixa preta, símbolo referencial do teatro, como um potente meio para que o espectador co-crie junto da obra, imaginando desde a ambientação dos espaços até as situações emocionais descritas nas cartas das três personagens interpretadas pela protagonista”, revela o diretor Bruno Kottÿ sobre a encenação. 


A respeito de uma de suas motivações para montar o solo, a atriz Chica Portugal, que também é idealizadora da montagem, menciona: “Incrivelmente não há uma mulher que eu converse sobre o assunto que não tenha passado por algum tipo de relacionamento abusivo. A maioria deles é velado, sutil – acabam sendo os mais difíceis de se notar, porque há uma tendência de normalização desse abuso quando não há agressão física. A maioria das mulheres deixa passar”.


Já a dramaturgia de Nanna de Castro rompe propositalmente o limite entre realidade e ficção ao transitar entre depoimentos verdadeiros e fictícios, entre o noticiário e o poético. Obras como “Mulheres que Amam Demais”, de Robin Norwood, e “Loucas de Amor”, de Gilmar Mendes, são referências importantes.


“Dentre as facetas das relações abusivas, sempre me intrigou as mulheres que se correspondem com criminosos sexuais confessos na prisão. É comum que assassinos recebam centenas de cartas de amor de mulheres que os conhecem apenas pelo noticiário. É como se o abuso fosse não apenas aceito, perdoado, mas acolhido. Não quero e não posso julgar estas mulheres, apenas convidar o público a partir desta situação extrema e refletir sobre nossa convivência com a violência e o desrespeito não apenas no nível pessoal, mas social”, acrescenta a dramaturga.


Sobre Chica Portugal

Chica é atriz, bailarina e produtora cultural. Atuou em mais de trinta espetáculos e óperas, dentre eles o “Visceral” de Nanna de Castro, a ópera “l'italiana in Argeli” com direção de Livia Sabag (eleita a melhor ópera de 2019), “Noite de Reis de Shakespeare”, com direção de Ramiro Silveira, “O Cavalo na Montanha” dirigida por Paulo Goulart Filho,  entre outros. No cinema co-produziu e atuou em “Eu Te Darei o Céu” – vencedor do prêmio Kikito de melhor Filme -, dirigido por Afonso Poyart. Participou da série "Carcereiros" produzida pela Rede Globo junto a Gullane Filmes, com direção geral de José Belmonte. Roteirizou, produziu e dirigiu os curtas-metragens “Mão” e “Fluxo” que foram selecionados para a mostra competitiva do festival Filmaê em Brasília, onde foi indicada ao prêmio de melhor atriz. Desde 2005 vem atuando no campo de Pesquisa das áreas de teatro, dança e audiovisual.  Assinou a pesquisa e produção do espetáculo “Quasi”, inspirado nas correspondências trocadas entre Mário de Andrade e Anitta Malfatti, originando a dramaturgia de Albano Martins Ribeiro com direção de Nany di Lima. Pesquisou e roteirizou o espetáculo de dança-teatro “Renoir – a dor passa, a beleza fica” - sobre a vida do pintor - com iniciativa e coprodução. Também comandou a pesquisa do espetáculo “Visceral”, com direções de Dan Rosseto e Paulo Gabriel, que foi contemplado pelo Prêmio Zé Renato além de ser indicado ao Prêmio Shell e ao Prêmio Aplauso Brasil em 2019. O espetáculo tratava de temáticas como: Esquizofrenia; E.L.A.; o universo da Cracolândia e a dependência química. Idealizadora e fundadora do Projeto À Meia Luz que aborda a violência doméstica através de várias frentes artísticas. 


Sobre Nanna de Castro

Nanna de Castro é escritora, roteirista de cinema, TV e autora teatral, além de psicóloga, coach e mentora de comunicação atendendo líderes de grandes empresas. Em cinema ganhou o Kikito de melhor roteiro em Gramado com o curta “Eu Te Darei o Céu” dirigido por Afonso Poyart, além dos prêmios de melhor roteiro na Jornada Internacional de Cinema da Bahia e no Festival de Curtas de Santos com o curta “A História Real” dirigido por Andrea Pasquini. Seu primeiro longa metragem, “O Novelo”, dirigido por Cláudia Pinheiro, acaba de vencer como melhor Filme pelo Júri Popular no Festival de Cinema de Gramado 2021. Em TV foi selecionada para a Oficina de Roteiristas da Globo em 2010. Atuou também na TV Cultura com Anna Muylaert e na RTP Portugal. Tem prêmios como autora teatral e suas peças foram montadas em várias cidades brasileiras e também em Portugal. É autora dos livros “Só as Magras e Jovens São Felizes – Reflexões de Uma Mulher de 40 Sobre Um Mundo Nada Fácil” da editora Paulinas e “O Céu Não é Um Lugar” da editora Chiado.


Sobre Bruno Kottÿ 

Bruno Kottÿ é ator, diretor, autor e Pesquisador de linguagens multiplataforma. No cinema, dirigiu o longa-metragem, “El Mate” (vencedor do Kikito de melhor ator coadjuvante no festival de Gramado). Dirigiu os espetáculos: A genealogia Celeste de uma dança e Pandas ou era uma vez em Frankfurt (o Prêmio do Júri Popular no Festival do RJ e representante brasileiro no Festival de Nova York) Na tv, escreveu e dirigiu o  programa “No Divã do Dr. Kurtzman” para o Canal Brasil (Globoplay) além de videoclipes e programas para MTV.


Sinopse

Rita, uma atriz-performer interpretada por Chica Portugal, realiza um espetáculo a partir de suas pesquisas sobre relacionamentos abusivos. O fio condutor da peça de Rita são cartas encontradas no colchão de um preso em um presídio de São Paulo: correspondência amorosa entre uma mulher que assina como “M” e um psicopata conhecido como “o maníaco da flor” que matou e esquartejou mais de 40 mulheres.


Ficha Técnica

Pesquisa e Atuação: Chica Portugal

Texto: Nanna de Castro

Direção: Bruno Kottÿ 

Cenário e Figurino: Kleber Montanheiro

Iluminação: Marisa Bentivegna

Desenho de Som: Juliana R. 

Caracterização: Beto França

Preparação Corporal: Bruna Magnes

Preparação Vocal: Marilene Grama

Assistente de Figurino e Cenário: Marcos Valadão

Cenotécnico: Evas Carretero

Operação de som: Juliana R.

Operação de luz: Giovanna Clara

Música: Cálice Intérprete: Paula Mirhan, Composição de Chico Buarque e Gilberto Gil

Fotos e design: Lyvia Gamerc

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Redes Sociais: Inspira Branding

Direção de Produção: Chica Portugal

Produtora Executiva: Vanessa Lopes

Animadora Cultural: Bia Cordeiro


Serviço

Cartas na Prisão, de Nanna de Castro

Temporada: 5 a 27 de agosto, às sextas e aos sábados, às 20h00

Sesc Santo André - Rua Tamarutaca, 302 - Vila Guiomar, Santo André

Ingressos: R$40(inteira), R$20 (meia-entrada) e R$12 (credencial plena)

Vendas online no site https://www.sescsp.org.br/, a partir do dia 27/07

Classificação: 14 anos

Duração: 50 minutos

Capacidade: 300 lugares



Atividade extra: Bate-papo

Relacionamentos Abusivos e a Romantização da Violência" 

Dia 20/08 às 17h00

 bate papo abordará as temáticas da violência contra a mulher e fatores sociais que nos fazem romantizar a violência de gênero. O evento faz parte da temporada do espetáculo “Cartas da Prisão”, em cartaz a partir de 05 de agosto no Sesc Santo André.  O encontro contará com a participação de Luciana Temer, Sérgio Barbosa e Natália Marques, especialistas na temática e combate à violência contra meninas e mulheres.

Local: área de convivência do Sesc Santo André. 

Gratuito.



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