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Entrevista com Professor Toninho

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21 fevereiro 2012


Joana D'arc entrevista Professor Toninho, casado, 2 filhos, formado em História pela USP, professor da rede estadual de ensino há 23 anos. Cumpriu três mandatos atuando como vereador em Embu das Artes, é filiado e militante do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e do Círculo Palmarino (Corrente Nacional do Movimento Negro). E dono do blog: http://professortoninho50.blogspot.com/



1 - O que motivou você entrar na política?

Cheguei a São Paulo em 1978, vindo de Minas Gerais. Nesse mesmo ano, embora muito jovem, 14 anos de Idade, me chamavam muito a atenção as notícias políticas. Era a ditadura militar, fim do Governo do General Ernesto Geisel. O General João Batista Figueiredo foi o presidente a partir de 1979. O Brasil vivia uma grande agitação política. Em 1980 fui trabalhar no centro de São Paulo como office-boy. As ruas da cidade eram uma agitação só. Greves de metalúrgicos, bancários, manifestações dos movimentos populares, etc. Vivi nesse ambiente de agitação política por  sete anos. Essa experiência foi decisiva na minha formação política. Nesse mesmo período foram fundados o PT e a CUT. Percebi que aqueles movimentos eram por direitos e justiça social. Identifiquei-me com aqueles personagens anônimos na história política. Eram Marias, Josés, Severinos, Luizes e tantos trabalhadores que impunham suas vozes, exigindo direitos sociais e liberdade política. Já em 1985 fui fundador do Grêmio Livre da EE Fernão Dias Paes, onde cursava o 2º ano do Ensino Médio, eleito diretor cultural. Já morava no Embu desde 1982. Nosso transporte coletivo caro e sem qualidade. Aquilo mexia comigo, ficava muito indignado. Já em 1987 fui fundador da Sociedade Amigos do Jd. Taima e depois da União Amigos do Jd. Taima. Passei a lutar unto com minha comunidade pela melhoria do nosso bairro e dos serviços de nossa cidade, mesmo ano em que comecei a lecionar aqui no Embu, na EE Alexandrina Bassith. Logo me filiei no Sindicato dos Professores. Em 1988 me filiei no PT. Passei a combinar luta social e construção partidária. Meu envolvimento político era total. Portanto minha entrada na política foi por querer ser um cidadão ativo na sociedade, na luta por um país melhor. Acredito que minha consciência política se deu numa relação bem articulada entre prática e teoria. No ano de 1992 fui candidato a vereador e fui eleito já na primeira vez. Depois conquistei mais dois mandatos. Sempre entendi que eu não era apenas um vereador. Era um militante social, um socialista no parlamento. Tanto é que quando percebi, junto com outros companheiros que o PT tinha mudado de lado, saí do Partido e deixei de ser líder do governo Geraldo Cruz na Câmara  para ser oposição e construir outro instrumento de luta pela transformação social a partir de 2005, o PSOL – Partido Socialismo e Liberdade.

2 - Toda profissão tem seus desafios, como você vê os seus?

Minha profissão é professor. Minha participação política no PSOL ou nos movimentos sociais não é uma profissão. É um dever e um direito de cidadão. Essa participação tem vários desafios. A realidade nos provoca todos os dias. Essa provocação é um convite a combater todos os tipos de injustiça. Porém o maior desafio é fazer política como um instrumento pedagógico. Nossas intervenções políticas devem buscar ser sempre coletivas. Devemos buscar colocar milhares de pessoas em marcha contra a sociedade capitalista. Contra as injustiças sociais. Esse é o maior desafio. Temos uma tradição autoritária. Nunca tivemos no Brasil uma cultura democrática de estímulo à participação popular. Nossa cultura é patrimonialista, uma vez que a coisa pública está sempre, via de regra, a serviço de particulares. Assim nossa participação deve buscar resultados concretos, mas sobretudo, educar o povo politicamente, pois a mudança social, econômica, política e cultural no Brasil será obra de milhões de brasileiros e brasileiras conscientes de seus direitos e deveres. A maior e melhor obra na história de uma nação é a educação no sentido lato da palavra. Minha participação política é pautada nesse sentido.

3 - Para você, o Brasil é um país de poucos leitores, ou essa verdade está mudando?

O Brasil possui 16 milhões de analfabetos. 70% da nossa população economicamente ativa é composta de analfabetos funcionais. São cidadãos  com apenas  até quatro anos de escolaridade. Esses dados são reveladores da realidade brasileira. É inegável que tem ampliado o acesso dos brasileiros à educação, porém estamos longe de atingirmos índices satisfatórios de leitores. A razão disso é o baixo investimento em educação no Brasil. A aplicação dos recursos públicos na educação brasileira não chega a 5% do PIB (produto interno bruto). O que causa indignação é que o Brasil destina 45% de seu orçamento anual para o capital financeiro, pagando juros e amortizações da dívida pública. Está em curso um grande movimento em defesa de investimento de 10% do PIB na educação brasileira. Caso sejamos vitoriosos com a aprovação do Plano Nacional de Educação com essa proposta, futuramente comemoraremos o aumento substancial de leitores no Brasil. O que significa mais cidadania.

4 - O filósofo Jean-Jacques Rosseau diz que "o homem nasce bom e a sociedade o corrompe". Você concorda com o filósofo?

Considero a afirmação de Rousseau muito pertinente. O meio ambiente influencia muito o Homem. O Homem modifica o meio ambiente e dialeticamente o meio ambiente modifica o Homem. Porém não devemos ver essa relação de forma mecânica, determinista. Temos outros fatores que devem ser considerados.

5 - Eu não votei na Dilma Rousseff, mas fiquei feliz por uma mulher estar no poder. O que você está achando do governo dela?

O governo Dilma mantém o padrão do governo Lula. Acena para os pobres com as políticas sociais e para os ricos com privatizações e taxas de juros que fazem qualquer capitalista do setor financeiro dar gargalhadas de prazer. É um governo do PT, mas governa como o PSDB. É um governo neoliberal. Não realiza as mudanças estruturais necessárias para o Brasil. Não faz reforma agrária; transfere volumosos recursos para os banqueiros através do pagamento de juros e amortizações da dívida pública. O Brasil avança para ser a 6ª economia mundial, porém o nosso IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) está em 84º lugar no ranking mundial. Isso só é possível com a manutenção de nossas históricas desigualdades. O governo Dilma não caminha para superar essa situação. Por isso sou crítico ao seu governo. Quanto ao fato de termos uma mulher na presidência considero positivo apenas simbolicamente.

6 - Em 2.011, o Governo de Embu das Artes criou o IPTU PREMIADO. O que você acha disso?

O IPTU premiado não é novidade no Embu. O governo de Garaldo Puccini (1993-1996) é que criou essa brincadeira com o povo. Mais parece o baú da felicidade. Uma tremenda demagogia. Não é disso que o povo precisa. O povo possui direitos à saúde, educação, assistência social, etc. Cabe ao governo respeitar esses direitos  e cumprir com suas obrigações devolvendo o dinheiro do IPTU em obras e políticas públicas.


7 - Você foi, durante um bom tempo Vereador; porque resolveu ser Candidato a Prefeito?

Sou pré- candidato a prefeito para dar um basta nesse desgoverno de Embu. Uma cidade com uma arrecadação prevista de 422 milhões de reais não pode conviver com falta de saúde pública de qualidade; não pode aceitar a falta de creches para milhares de crianças; não pode aceitar que esses recursos sejam destinados a atender interesses corruptos das empreiteiras, em conluio com agentes públicos de nossa cidade. Minha pré-candidatura é também para garantir democracia em nossa cidade. O povo não tem tido acesso às informações sobre as aplicações dos recursos públicos. O governo dificulta essas informações. A juventude de Embu precisa de políticas públicas que garantam lazer, esportes, formação cultural, formação profissional e participação cidadã nos destinos da cidade. O povo em geral deve ser protagonista num governo verdadeiramente democrático. Somente a participação popular colocará fim na destruição do meio ambiente em nossa cidade e garantirá o desenvolvimento sustentável. Vamos inverter as prioridades  na cidade de Embu com um governo democrático e popular. Minha experiência de mais de 12 anos como vereador em Embu, modéstia à parte, me qualifica para essas tarefas.

8 -  Deixe uma mensagem para os leitores.

A mensagem que deixo para os leitores é de esperança. Esperança ativa. Esperança na participação popular. Cada vez mais os cidadãos devem procurar se informar sobre os assuntos de sua cidade. Devemos aproveitar as facilidades que as redes sociais nos propiciam tanto para nos informar, mas também para denunciar as mazelas da sociedade. Quem denuncia não está sozinho. Somente a luta trará mudanças. Minha esperança é na organização do povo e na luta popular. Axé. Muito obrigado.


Para mais informação:


Está na hora de mudar,vamos tirar o poder das mãos dos partidos que sempre assumem o poder e não fazem nada por você. Vamos dar uma oportunidade para outros partidos,quem sabe eles no poder mude algo.
Cansei de dias nublados agora eu quero o sol.















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