Canetas emagrecedoras podem aumentar risco de desnutrição silenciosa e perda de massa muscular - Joana D'arc

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07 julho 2026

Canetas emagrecedoras podem aumentar risco de desnutrição silenciosa e perda de massa muscular

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Estudo com mais de 480 mil pacientes associa uso de agonistas de GLP-1 a deficiências de vitaminas, minerais e redução de massa magra




O sucesso das canetas emagrecedoras transformou o tratamento da obesidade e ajudou milhões de pessoas a perder peso. Mas, por trás dos resultados na balança, tem sido observado um fenômeno que merece atenção: o aumento do risco de desnutrição e deficiência nutricional em pacientes que reduzem drasticamente a ingestão alimentar durante o tratamento.
 

Conhecida por "fome oculta", essa condição ocorre quando o organismo recebe menos nutrientes essenciais do que necessita, mesmo em pessoas que não aparentam estar desnutridas. O problema tem ganhado relevância à medida que cresce o uso de medicamentos que promovem saciedade prolongada e reduzem significativamente o apetite.
 

Uma revisão narrativa publicada em Clinical Obesity analisou estudos envolvendo centenas de milhares de adultos e concluiu que a supressão do apetite e a redução significativa da ingestão alimentar podem levar a déficits nutricionais relevantes.¹
 

Segundo a Dra. Renata Bussuan, coordenadora da pós-graduação em Endocrinologia da Afya Educação Médica, os efeitos podem se refletir inclusive na pele, nos cabelos e nas unhas, estruturas altamente dependentes de nutrientes para sua manutenção:
 

“Embora as canetas emagrecedoras sejam ferramentas eficazes para o controle da obesidade, alguns pacientes acabam consumindo uma quantidade muito pequena de alimentos ao longo do dia. Nesses casos, observamos baixa ingestão proteica, deficiência de ferro, zinco, vitamina B12 e vitamina D, além de perda de massa muscular. Essas alterações podem comprometer não apenas os resultados do tratamento, mas a saúde de forma geral”, explica.
 

Outro levantamento, publicado na revista científica Obesity Pillars ouviu mais de 461 mil pacientes em uso de GLP-1 e identificou que cerca de 22% desenvolveram algum tipo de deficiência nutricional em até um ano de tratamento, com destaque para baixos níveis de vitamina D e redução de ferritina, marcador importante do estoque de ferro no organismo.²
 

A preocupação dos especialistas é que muitos pacientes associem o sucesso do tratamento exclusivamente à velocidade da perda de peso. No entanto, evidências científicas mostram que a qualidade dessa perda é tão importante quanto a quantidade. A redução excessiva de massa muscular, por exemplo, pode diminuir a força física, aumentar o risco de quedas, dificultar a manutenção do peso no longo prazo e prejudicar o metabolismo.
 

Além disso, deficiências de ferro e vitamina B12 podem favorecer quadros de fadiga, dificuldade de concentração e queda de cabelo. Já níveis inadequados de vitamina D e zinco podem afetar a imunidade e a recuperação dos tecidos.
 

Para evitar essas complicações, a recomendação é que o uso das canetas seja acompanhado por avaliação médica e nutricional periódica, com monitoramento de exames laboratoriais e orientação alimentar individualizada.
 

“O objetivo não deve ser apenas perder peso, mas preservar a saúde. Uma alimentação equilibrada, rica em proteínas e micronutrientes, é fundamental para que o organismo se adapte adequadamente ao emagrecimento e mantenha suas funções em pleno funcionamento”, reforça a Dra. Renata.
 

Diante da crescente popularização desses medicamentos, o alerta é claro: emagrecer não pode significar nutrir menos o corpo. Em muitos casos, o maior desafio não é perder peso, mas garantir que o organismo continue recebendo tudo o que precisa para funcionar de forma saudável.
 

Referências


1. Link

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Sobre a Afya


A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.768 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC, com mais de 26 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 - Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br.

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