Foto de Duda Viana
Repleta de símbolos, música e espiritualidade, a Festa de Coroação de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da Penha é uma das mais significativas celebrações afro-brasileiras em São Paulo - embora ainda seja desconhecida por muita gente. E a peça Rei Menino, com texto de Rafael Cristiano e direção de Cleydson Catarina, nasce justamente para destacar a importância dessa manifestação popular. No elenco, além do próprio autor, estão Lucas Laureno, Gabriel Coupe e Rafael Fazzion.
O espetáculo estreia nos dias 26 e 27 de junho, às 15h, no Largo do Rosário (Penha) durante a própria coroação e, depois disso, ganha novas apresentações gratuitas na Biblioteca Mário de Andrade (dia 3 de julho, às 14h e às 16h), no Centro Cultural Tendal da Lapa (no dia 17, às 14h e às 16h) e no Centro de Referência da Dança (no dia 18, às 14h e às 16h).
A proposta do trabalho nasce do encontro entre arte, memória e educação, tendo como foco as infâncias negras e periféricas da cidade de São Paulo. O projeto parte de uma realidade marcada pela escassez de referências positivas à cultura afro-brasileira nos currículos escolares e nos espaços públicos acessados por crianças negras.
A trama narra a história de Pepê, um menino morador da Zona Leste de São Paulo, que pede a seu pai, Jonas, para levá-lo à coroação do rei e da rainha do Rosário dos Homens Pretos da Penha. Juntos, eles embarcam em uma jornada de descoberta sobre a realeza negra no Brasil, em meio à tradicional congada que celebra e honra esses ícones culturais.
A coroação, que une espiritualidade e ancestralidade, ganha novos significados quando é levada ao palco e compartilhada, garantindo que essa tradição seja conhecida, reconhecida, homenageada e admirada de variadas maneiras. É um gesto de respeito à ancestralidade, à memória, à identidade e um convite para que as novas gerações se interessem por essa festa, celebrando a cultura afro-brasileira com orgulho e encantamento.
“Levar essa festa ao teatro infantil é uma forma de fazer com que as crianças experimentem, de maneira encantadora, um patrimônio vivo onde a realeza negra se manifesta, não em castelos distantes, mas em seus próprios territórios, em suas comunidades, em sua história. Ao encenar essa festa no teatro, a peça reforça a importância de contar histórias que ampliam a visão de mundo das crianças, promovendo um olhar sensível sobre o papel da cultura afro-brasileira na construção do país”, explica a diretora de produção Ingrid Alecrim.
Sobre a Coroação
A Festa de Coroação de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos é uma celebração vibrante, na qual a fé e a cultura afro-brasileira se entrelaçam. Em São Paulo, acontece na Igreja do Rosário dos Homens Pretos da Penha - um espaço de segurança e de reinvidicação de direitos básicos do povo negro.
Construída em 16 de junho de 1802, em pleno regime escravocrata, a igreja atuava com irmandades negras que tinham como funções oferecer um enterro e velório dignos a seus irmãos, promover oportunidades de convívio e interação em festas, proporcionar a compra comunitária de alforrias, entre outras ações.
Mais do que um rito religioso, a festa é, portanto, um símbolo de pertencimento, resistência, dignidade e memória coletiva. Desde 2002, a coroação pôde deixar de ser propositadamente esquecida e festejada como um território importante para a história da cidadania de pessoas negras da cidade e um ponto de confluência dos saberes africanos difundidos no que chamamos de “cultura popular brasileira”.
Durante a festa anual, reis, rainhas, príncipes e princesas negros são reverenciados em um cerimonial que mistura o sagrado e o festivo. A cerimônia recebe pastorais, irmandades tradicionais da igreja, e mais de 20 grupos ligados à tradição, entre congadas, moçambiques, marujadas, maracatus, sambas de bumbo e jongo. A cerimônia reafirma nossa vasta realeza afrodescendente, em um país onde há uma contínua tentativa de apagar e marginalizar a própria história negra.
Ela se inicia com o evento de levantamento do mastro no Largo do Rosário, no bairro da Penha, e é composta por uma programação artístico-cultural que tem duração média de um mês. Um dos momentos mais especiais é o da coroação do rei e da rainha de festa, que são escolhidos anualmente, após a celebração de uma missa afro-inculturada (ou seja, uma celebração católica, feita por um padre e normalmente acompanhada por um bispo, que integra em sua estrutura a musicalidade e alguns signos das religiosidades africanas no Brasil).
No momento da coroação, as congadas entram para saudar a realeza e uma delas carrega a coroa. Segundo as pessoas que continuam seu legado, a Comunidade do Rosário da Penha, a festa realiza um movimento que sempre circunda os que vieram antes, os que lá estão e os que ainda virão, fruto de uma espiral simbólica que representa a abrangência das ancestralidades que traçaram os múltiplos caminhos de ser negro.
Ficha técnica
Dramaturgo e designer: Rafael Cristiano
Diretor: Cleydson Catarina
Assistente de diretor: João Filho
Diretor musical: Fernando Alabê
Compositor musical geral: Uberê Guelé
Compositor das músicas "Valsa do Rei" e "Funk Chamego do Meu Pai": Gabriel Coupe
Elenco: Gabriel Coupe, Lucas Laureno, Rafael Cristiano e Rafael Fazzion
Preparador corporal e cenógrafo: Guinho Nascimento
Bonequeiro e Aderecista: Rager Luan
Assistente de Cenógrafo: Alafim
Figurinista: Patricia Freire
Técnica de som: Helena Menezes
Iluminadora: Tati Santos
Consultora de acessibilidade e audionarradora: Cintia Alves
Intérprete de Libras: Ricieri Palha
Diretora de produção: Ingrid Alecrim
Produtor executivo: Miguel Estevão
Divulgação: Catucá Comunicação
Fotógrafa: Duda Viana
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio Assessoria de Comunicação
Consultora de dramaturgia: Kiusam de Oliveira
Sinopse
A peça narra a história de Pepê, um menino morador da Zona Leste de São Paulo, que pede a seu pai, Jonas, para levá-lo à coroação do rei e da rainha do Rosário dos Homens Pretos da Penha. Juntos, eles embarcam em uma jornada de descoberta sobre a realeza negra no Brasil, em meio à tradicional congada que celebra e honra esses ícones culturais.
Serviço
Rei Menino, de Rafael Cristiano
Classificação: Livre
Duração: 50 minutos
Ingressos: Grátis (sem necessidade de retirada)
26 e 27/6 às 15h: Largo do Rosário - Penha de França, São Paulo
3/7 às 14h e 16h: Biblioteca Mário de Andrade: Rua da Consolação, 94 - República, São Paulo
17/7 às 14h e 16h: Centro Cultural Tendal da Lapa: Rua Guaicurus, 1100 - Lapa, São Paulo
18/7 às 14h e 16h: Centro de Referência da Dança: Galeria Formosa Baixos do Viaduto do Chá, s/n - Praça Ramos de Azevedo - Centro Histórico de São Paulo, São Paulo

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