A presença da cor nos pés de atletas das principais seleções não é coincidência. Estratégia visual, comportamento do consumidor e mudanças culturais ajudam a explicar por que o rosa se tornou um dos protagonistas do Mundial
Se você acompanhou os primeiros jogos da Copa do Mundo 2026, provavelmente notou um detalhe que tem chamado atenção tanto quanto alguns lances em campo: a quantidade de jogadores usando chuteiras rosas.
A tendência aparece nos pés de atletas de diferentes seleções e patrocinados por marcas concorrentes. O que para muitos pode parecer apenas uma escolha estética faz parte de uma combinação de estratégia visual, estudos de comportamento e transformações culturais que vêm acontecendo nos últimos anos.
Segundo Luciana Ulrich Consultora de Imagem e Especialista em Cores, o fenômeno está longe de ser aleatório. "Quando observamos uma mesma cor sendo adotada simultaneamente pelas principais marcas esportivas do mundo, dificilmente estamos diante de uma coincidência. Existe um trabalho profundo de pesquisa de tendências, análise de comportamento e entendimento do que o consumidor está pronto para aceitar e desejar", afirma.
O contraste que faz os olhos irem direto para a chuteira
Uma das explicações está na própria ciência das cores. O rosa pink é considerado uma das tonalidades que mais cria contraste com o verde do gramado. No círculo cromático, as duas cores ocupam posições opostas, formando uma combinação complementar capaz de gerar forte impacto visual.
"Os nossos olhos são naturalmente atraídos pelo contraste. Em um campo predominantemente verde, a chuteira rosa se transforma instantaneamente em um ponto focal. Mesmo sem perceber, o espectador acaba direcionando o olhar para ela", explica Luciana.
Segundo a especialista, esse princípio é amplamente utilizado por profissionais de imagem, publicidade e design para destacar elementos específicos e direcionar a atenção do público.
O que as marcas enxergaram antes do consumidor
Outro fator que ajuda a explicar a popularidade da cor é o comportamento do mercado esportivo.
Nesta Copa, fabricantes como Nike, Adidas, Puma e New Balance lançaram modelos com o rosa como destaque principal. Para Luciana, a convergência entre gigantes do setor revela uma leitura semelhante sobre os desejos e aspirações do consumidor atual.
"As marcas investem milhões em pesquisas para entender mudanças culturais e tendências de consumo. Quando várias empresas chegam à mesma conclusão ao mesmo tempo, normalmente é porque identificaram um movimento que já estava acontecendo de forma silenciosa na sociedade", afirma.
Ela explica que o fenômeno está ligado ao chamado inconsciente coletivo, conceito que ajuda a entender como determinados símbolos, comportamentos e referências passam a ser aceitos de forma quase simultânea por diferentes grupos sociais.
A cor que deixou de ser tabu no futebol
Para além da estratégia comercial, a presença do rosa nos gramados também reflete uma mudança cultural importante. Durante décadas, a cor foi associada quase exclusivamente ao universo feminino, o que fez com que muitos homens evitassem seu uso, especialmente em ambientes de alta exposição pública.
Agora, o cenário é outro. "O mais interessante é que o rosa aparece justamente no esporte que historicamente foi associado à masculinidade. Estamos vendo alguns dos maiores atletas do planeta usando essa cor no principal evento esportivo do mundo. Isso mostra como determinados códigos visuais estão sendo ressignificados", analisa Luciana.
Para a especialista, a força da tendência está justamente na quebra de expectativas. "Quando uma cor desafia uma regra cultural antiga, ela chama atenção. Por isso, a chuteira rosa não representa apenas uma escolha de design. Ela simboliza uma transformação na forma como a sociedade enxerga cores, identidade e expressão pessoal."
Se dentro de campo a tendência já virou assunto entre torcedores e comentaristas, fora dele o movimento também tende a influenciar o mercado esportivo e a moda casual.
"A Copa do Mundo sempre funciona como uma grande vitrine de comportamento. O que vemos nos gramados hoje costuma chegar ao consumo de massa nos meses seguintes. O rosa ganhou protagonismo porque reúne visibilidade, impacto visual e um significado cultural que está em plena transformação", conclui Luciana.
Sobre Luciana Ulrich
Especialista em cores e pioneira na Coloração Pessoal no Brasil. Já realizou mais de 10.000 testes de coloração pessoal e formou mais de 7.000 profissionais para o mercado com a Studio Immagine, que é referência na produção de cursos e produtos de Coloração Pessoal e Imagem no Brasil e na Europa há 13 anos.
Com a Studio Immagine, Luciana Ulrich formou a maior comunidade de cores do Brasil, fortalecendo a conexão entre profissionais e entusiastas da área.
Luciana é responsável pela maior conferência sobre cores no Brasil, reunindo especialistas e apaixonados por cores para compartilhar conhecimentos e experiências. Além disso, é a idealizadora do aplicativo Colormais, que oferece uma Experiência Digital na análise de Coloração Pessoal, além de fornecer cartelas de cores digitais e produtos classificados por estação. Ela também é uma das autoras do livro "À Sua Moda".
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