O novo luxo imobiliário não é altura: é bem-estar - Joana D'arc

Destaque

18 junho 2026

O novo luxo imobiliário não é altura: é bem-estar

Avanço do wellness real estate e saturação de empreendimentos voltados ao excesso levam incorporadoras a inverterem a lógica de maximização de VGV e apostar em ativos mais escassos, ligados à saúde, natureza e qualidade de vida. Em Santa Catarina, um empreendimento abriu mão de mais de R$ 50 milhões em potencial construtivo para reduzir densidade e ampliar áreas de bem-estar.
 


 

Excesso de luxo, disputa por metragem, verticalização acelerada e maximização de VGV: atributos antes supervalorizados já não garantem mais diferenciação em um mercado imobiliário cada vez mais saturado. O cenário começa a se tornar evidente inclusive em Santa Catarina, um dos polos mais aquecidos do país, que passa agora a apostar no caminho oposto: menos densidade, mais qualidade ambiental e bem-estar como estratégia de valorização no longo prazo.
 

O movimento acompanha o avanço do wellness real estate, segmento que se consolida como uma das principais apostas globais do setor. Dados do Global Wellness Institute mostram que o segmento movimentou US$ 584 bilhões em 2024 e deve atingir US$ 1,1 trilhão até 2029.
 

Mais do que tendência estética, o bem-estar passa a ser tratado como critério de valorização e proteção patrimonial no mercado imobiliário internacional. Atributos como biofilia, conforto térmico e acústico, ventilação natural, tecnologias inteligentes e áreas voltadas à saúde e recuperação física ganham relevância estratégica por aliarem experiência de moradia, atratividade de longo prazo e menor vacância dos ativos.
 

Para responder à nova lógica de demanda, incorporadoras começam a rever modelos históricos de maximização de VGV e adensamento. Em Camboriú (SC), ao lado de um dos metros quadrados mais valorizados do país, a FHaus Empreendimentos optou por não utilizar integralmente o potencial construtivo do Athene Garden, decisão que, segundo a incorporadora, representa mais de R$ 50 milhões em VGV não explorado.

Além de reduzir oito unidades do projeto original, a empresa abriu mão de áreas comercializáveis para ampliar espaços coletivos voltados ao bem-estar, criando os chamados “nests”: ambientes integrados à natureza destinados à convivência, contemplação e desaceleração. A estratégia também reforça a exclusividade do ativo ao reduzir o adensamento e priorizar qualidade ambiental em uma região marcada pela verticalização acelerada.
 



Render do projeto exemplifica a presença dos nests voltados ao lazer, bem-estar e contemplação.

 

“A gente entendeu cedo que competir apenas pelo mais do mesmo não faria sentido no longo prazo. O setor está saturado de empreendimentos que parecem valiosos no lançamento, mas envelhecem rápido porque foram pensados apenas para venda. Por isso, os ativos realmente escassos daqui para frente serão aqueles capazes de entregar qualidade de vida, conexão com a natureza e qualidade ambiental real”, afirma Iuri Dutra, diretor de marketing e vendas da FHaus.
 

Novas lógicas, novos resultados


A mudança de posicionamento acontece também em meio a um cenário desafiador para o mercado imobiliário regional. Dados do setor apontam aumento expressivo na oferta de imóveis em cidades do litoral catarinense, pressionando incorporadoras a buscarem novos diferenciais em um mercado cada vez mais competitivo.

“Nossa vizinha Porto Belo, por exemplo, tem cerca de 32 mil habitantes, mas o número de imóveis ofertados já ultrapassa 45 mil unidades disponíveis e em desenvolvimento. Não existe mais espaço para repetir padrões em um cenário assim”, explica Iuri.
 

Para a FHaus, o movimento reforça a necessidade de desenvolver ativos mais estratégicos e disruptivos, e que agreguem valor. A incorporadora projeta rentabilidade anual de mais de 60% e valorização de aproximadamente 14% para o Athene Garden, valores bem acima da média nacional estimada em 8,3%, segundo índices de mercado utilizados pela empresa como referência. Internamente, a expectativa é de que a escassez futura de empreendimentos alinhados ao wellness living possa ampliar ainda mais essa curva de valorização nos próximos dois anos, podendo superar os 20%.
 

“O comprador está mais consciente e priorizando atributos capazes de impactar diretamente tanto a experiência de vida quanto a valorização patrimonial”, afirma Clécio Fonseca, sócio-fundador da FHaus. “Isso deixa de ser discurso quando os próprios números mostram uma mudança real de comportamento e demanda”, completa, citando um levantamento recente da DataStore que mostra que, no litoral norte catarinense, qualidade de vida já supera o preço como principal fator de decisão na compra de imóveis.
 

O estudo, realizado em Itajaí, Balneário Camboriú e Camboriú, aponta ainda que mais de 70% dos entrevistados pretendem adquirir um imóvel nos próximos dois anos e que mais de 60% valorizam empreendimentos com soluções sustentáveis e certificações ambientais, associando esses atributos à valorização patrimonial e à segurança do investimento.
 

Inserido neste contexto, o Athene Garden será construído no Colinas de Camboriú, bairro planejado ao lado da BR-101 com potencial estimado superior a R$ 10 bilhões em VGV ao longo de sua consolidação. O empreendimento nasce em um ecossistema cercado por mais de 400 mil m² de Mata Atlântica preservada e alinhado ao conceito de wellness living.

Busca também, simultaneamente, as certificações internacionais LEED e WELL em nível Platinum, inéditas em Camboriú, além dos selos Floresta de Bolso® e Biodiversidade Nativa, desenvolvidos pelo paisagista Ricardo Cardim. O projeto arquitetônico é assinado por Leonardo Zanata.


 










 

“O que hoje ainda parece um nicho embrionário na região, nos próximos 4 a 6 anos, vai rapidamente se transformar no padrão de valorização e desejo. Saúde, natureza e qualidade ambiental estão ganhando o mesmo peso e lugar de destaque que localização e metragem tiveram durante décadas. Esse é o novo luxo”, finaliza o também sócio-fundador da incorporadora, Thomas Barichello Fischer.

 

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