Vencedor de diversos prêmios, como o de melhor tradução segundo escolha do editor no Crime Fiction Lover (2024), o de romance de estreia no CrimeFest Specsavers (2025) e o de ficção policial traduzida no CWA Dagger (2025) — sendo a primeira obra japonesa a conquistá-lo —, A noite de Baba Yaga transita entre o thriller e o drama psicológico. Com uma escrita crua e ao mesmo tempo sensível, nela a autora Akira Otani explora os limites entre proteção e dominação, liberdade e aprisionamento.
Neste romance acompanhamos Yoriko Shindō, uma mulher deslocada da sociedade mas com incríveis habilidades marciais, raptada pela Yakuza para servir como guarda-costas da jovem Shōko Naiki, aparentemente frágil e envolta em mistério, filha do chefe da organização. O que começa como um trabalho de vigilância aos poucos se transforma em uma relação ambígua marcada por tensão, fascínio e uma crescente e perigosa intimidade.
À medida que as duas personagens se aproximam, a história mostra as faces do poder, do abuso e da sobrevivência. A dinâmica entre elas passa a desafiar categorizações simples; pares de papéis como “vítima e agressora”, “protetora e prisioneira” tornam-se intercambiáveis em uma relação que se intensifica cada vez mais. Com uma prosa enxuta, quase cortante, a autora constrói uma atmosfera densa que espelha o estado emocional de suas personagens. Ao mesmo tempo, há momentos de inesperada delicadeza, nos quais o vínculo entre as duas mulheres revela uma busca desesperada por conexão em meio ao caos.
A noite de Baba Yaga traz uma referência contemporânea ao folclore eslavo, evocando a figura mítica de Baba Yaga — uma entidade sobrenatural que pratica boas ou más ações a depender de se depara com ela. Assim como na tradição, o romance de Otani habita um espaço onde moralidade e identidade são instáveis, e onde o perigo e o afeto coexistem de maneira inquietante.
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