Por que o uso de IA em Tomb Raider: Legacy of Atlantis está movimentando a indústria dos games - Joana D'arc

Destaque

10 junho 2026

Por que o uso de IA em Tomb Raider: Legacy of Atlantis está movimentando a indústria dos games

Caso ilustra uma transformação que já alcança grandes estúdios e redesenha o que se espera de quem trabalha com criação digital

O aguardado Tomb Raider: Legacy of Atlantis esteve entre os destaques recentes do universo dos games ao revelar que parte de sua produção contou com o uso de ferramentas de inteligência artificial. Em comunicado oficial, a desenvolvedora afirmou que todos os ativos gerados por IA foram substituídos ou aprimorados por humanos. A informação reacendeu debates sobre o papel da tecnologia no desenvolvimento de jogos e mostra como a participação de sistemas inteligentes nas diferentes etapas do processo criativo vem se consolidando na indústria. 

Se há poucos anos a IA era utilizada principalmente para automatizar tarefas técnicas, hoje ela já participa de etapas ligadas à construção da experiência criativa. Ferramentas capazes de gerar imagens, vozes, diálogos, animações e ambientes completos começam a integrar o fluxo de trabalho de estúdios e criadores independentes, acelerando a produção e ampliando as possibilidades do setor. 

Além da adoção pelo mercado, a percepção do público também revela uma relação cada vez mais complexa com a tecnologia nos videogames. Dados da Pesquisa Game Brasil (PGB) 2026 mostram que 45,7% dos jogadores demonstram preocupação com os impactos da IA no processo criativo e no mercado de trabalho do setor. Ainda assim, 39,3% afirmam que comprariam um jogo mesmo sabendo que grande parte de seu desenvolvimento contou com o uso da tecnologia, enquanto outros 40,9% considerariam essa possibilidade. Os números indicam que o debate já não está centrado apenas na presença da inteligência artificial, mas na forma como ela é utilizada e no papel que os criadores humanos continuam desempenhando na construção dessas experiências. 

Para Marco Giroto, fundador da SuperGeeks, esse cenário mostra que a discussão não deve ser sobre substituir pessoas, mas sobre compreender quais habilidades passam a ser mais importantes em um contexto de crescente automação. "Quando a tecnologia assume parte da execução, ganham ainda mais valor competências como criatividade, pensamento crítico, resolução de problemas e capacidade de estruturar ideias. A ferramenta pode gerar possibilidades, mas continua sendo necessário alguém capaz de dar direção, propósito e significado ao que está sendo criado", afirma. 

O próprio caso do Tomb Raider ilustra isso. A IA acelera, mas a decisão final sobre o que entra no jogo continua humana. Durante muito tempo, o desafio era aprender a utilizar ferramentas complexas para transformar ideias em projetos. Agora, parte da execução pode ser realizada por sistemas inteligentes em poucos segundos, e a vantagem passa a estar na capacidade de orientar, avaliar e refinar o que esses sistemas produzem. 

Nesse contexto, habilidades como imaginação, raciocínio lógico e capacidade de estruturar soluções ganham ainda mais relevância. Para Giroto, esse avanço não reduz a importância do aprendizado técnico, mas muda seu foco. 

"Entender programação, lógica e pensamento computacional continua sendo fundamental, especialmente para quem deseja seguir carreira na produção de jogos. A diferença é que essas competências passam a ser utilizadas cada vez mais para orientar a tecnologia, avaliar resultados e transformar ideias em experiências relevantes", explica. 

À medida que a inteligência artificial assume parte da execução no desenvolvimento de jogos, as competências humanas ganham ainda mais valor. Para os mais jovens, compreender como essas experiências são construídas pode representar não apenas uma porta de entrada para o universo dos games, mas também uma oportunidade de desenvolver capacidades que serão essenciais para criar as tecnologias do futuro. 

Sobre

A rede de franquias SuperGeeks nasceu com o objetivo de formar não somente consumidores, mas também criadores de tecnologia. Desde 2014, a marca assume uma posição importante ao preparar as novas gerações para os desafios e oportunidades do futuro tecnológico, dedicando-se a ensinar programação, robótica e inteligência artificial, de forma lúdica e criativa, atendendo todas as faixas etárias.


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