Neuropsicóloga alerta para os impactos do cigarro e do vape na saúde mental e no cérebro - Joana D'arc

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10 junho 2026

Neuropsicóloga alerta para os impactos do cigarro e do vape na saúde mental e no cérebro


Especialista explica como a nicotina afeta comportamento, ansiedade, atenção e aumenta o risco de dependência, especialmente entre adolescentes e jovens adultos


O crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens adultos tem acendido um alerta entre especialistas da saúde. Embora muitas vezes sejam percebidos como alternativas menos nocivas ao cigarro tradicional, os dispositivos eletrônicos — conhecidos como vape — também podem provocar impactos significativos no cérebro e na saúde mental.

Segundo a neuropsicóloga Aline Graffiette, a nicotina presente tanto nos cigarros convencionais quanto nos eletrônicos atua diretamente em áreas cerebrais ligadas ao prazer, recompensa e controle emocional, favorecendo o desenvolvimento da dependência e alterações comportamentais.

“Muitas pessoas ainda associam o cigarro apenas aos danos físicos, mas existe um impacto importante no funcionamento cerebral. A nicotina interfere em mecanismos ligados à ansiedade, impulsividade, atenção e sensação de prazer imediato”, explica.

A especialista destaca que os dispositivos eletrônicos contribuíram para uma percepção equivocada de menor risco, principalmente entre os mais jovens.

“O vape foi associado a algo moderno, tecnológico e aparentemente menos prejudicial. Isso acabou favorecendo a banalização do consumo e diminuindo a percepção dos riscos envolvidos”, afirma.

Entre os efeitos mais frequentes observados estão aumento da ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração e dependência emocional relacionada ao uso constante da nicotina.

“O cérebro passa a buscar repetidamente os estímulos de recompensa proporcionados pela substância. Com o tempo, cria-se um ciclo de repetição que fortalece a dependência”, alerta.

A preocupação se torna ainda maior quando o contato ocorre durante a adolescência, período em que o cérebro segue em desenvolvimento, especialmente nas regiões responsáveis pelo controle emocional, tomada de decisões e gerenciamento de impulsos.

“Quanto mais precoce é a exposição à nicotina, maiores podem ser os impactos sobre o desenvolvimento cerebral e sobre padrões comportamentais que acompanham o indivíduo ao longo da vida”, explica Aline.

Outro aspecto observado pelos especialistas é o uso do cigarro ou do vape como uma tentativa de aliviar sintomas de ansiedade e estresse. No entanto, segundo a neuropsicóloga, a relação costuma ser inversa.

“Muitas pessoas sentem um alívio momentâneo ao consumir nicotina, mas, a longo prazo, o uso contínuo tende a alimentar o próprio ciclo de ansiedade e dependência”, afirma.

Entre os principais sinais de alerta para a dependência estão a necessidade frequente de fumar ou vaporizar em momentos de tensão emocional, irritabilidade quando não há consumo, dificuldade de concentração, sensação de relaxamento apenas após o uso e aumento progressivo da frequência de utilização.

Para Aline Graffiette, ampliar a discussão sobre os efeitos da nicotina no cérebro é fundamental em um cenário de crescente popularização dos dispositivos eletrônicos.

“Quando falamos sobre cigarro e vape, precisamos ir além dos impactos respiratórios e cardiovasculares. Trata-se também de uma questão de saúde mental, comportamento e funcionamento cerebral, especialmente entre os jovens”, conclui.

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