Eliane Cristina questiona limites da vingança em romance - Joana D'arc

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11 junho 2026

Eliane Cristina questiona limites da vingança em romance

Autora de "Olho Por Olho: ecos do imperdoável", Eliane Cristina detalha processo de construção de obra que conecta o Brasil da atualidade com a vida de imigrantes após guerras mundiais

Uma viagem pelo tempo capaz de conectar história, autoconhecimento e suspense. Este foi o propósito da escritora Eliane Cristina ao desenvolver a trama de Olho Por Olho: ecos do imperdoável, obra que propõe reflexão sobre as consequências da vingança. Também autora do romance "Marias" (2025) e do livro infantil "O Rapto das Cores" (2025), ela explora questões filosóficas e psicológicas para debater temas como livre-arbítrio, perdão e violência.

A produção literária é ambientada em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, e parte de um crime que devasta a cidade. A censura das vítimas e o apagamento das provas reverbera na execução de um plano vingativo, movido pela espera de uma reparação que nunca foi alcançada. É neste contexto que a escritora também aborda a vida dos imigrantes alemães que chegaram à cidade após a década de 1910.  

Ao longo das 160 páginas, a narrativa mostra como as escolhas individuais podem refletir na vivência coletiva e alerta para os efeitos irreversíveis dos atos. "A dor e o ressentimento podem ser opções para uma decisão de vida? O perdão não aparece no sentido religioso ou moralmente esperado. Aparece como uma forma de romper ciclos e seguir", elabora Eliane.

Conheça mais sobre a obra e a autora na entrevista abaixo: 

  1. “Olho por Olho" aborda um assunto universal: a vingança. Quais são os pontos que lhe interessam dentro deste tema?

Eliane Cristina: Os ecos emocionais da escolha pela vingança, ou seja, as consequências e repercussões na vida de quem a escolhe como opção para reparar uma dor muito profunda. 

  1. A narrativa é ambientada em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. O que motivou a escolha da localização?

E.C.: Eu queria ter como cenário um rio que atravessasse uma cidade, uma estação de trem, um clima frio e a imigração entre guerras. São Leopoldo foi a cidade que reunia esses fatores, inclusive a imigração alemã como parte preponderante da formação da cidade. 

  1. O livro também faz uma retrospectiva para contextualizar a vida de imigrantes alemães que chegaram ao Brasil após a década de 1910. Como você desenvolveu a pesquisa para escrever sobre esse período?

E.C.: Eu já havia lido a obra “O Tempo e O Vento”, de Érico Veríssimo, que trata sobre a formação do Rio Grande do Sul e o papel da imigração nesse contexto. Fontes como o e-book do Museu Visconde também me trouxeram imagens, informações e inspirações. 

  1. A produção trata sobre temas como perdão, livre-arbítrio e violência. Quais reflexões você buscou trazer sobre cada um destes assuntos?

E.C.: São reflexões que se desenvolvem no contexto da vida cotidiana não de forma teórica, mas de forma humana. O desejo de vingança nasce do desamparo diante da perda de toda a família. O livre-arbítrio, sempre posto no contexto de fazer o que se quer, mas ter consciência das consequências, é a grande questão que se coloca. A dor e o ressentimento podem ser opções para uma decisão de vida? O perdão não aparece no sentido religioso ou algo moralmente esperado. Aparece como uma forma de romper ciclos e seguir. Não é sobre desculpar alguém. Certos acontecimentos não aceitam desculpas.

  1. Você também é autora do romance "Marias" (2025) e do livro infantil "O Rapto das Cores" (2025). Como o processo de construção de "Olho por Olho" se diferenciou das demais obras?

E.C.: Olho por Olho: ecos do imperdoável foi uma construção emocionalmente mais difícil do que os livros anteriores, os contos ou as poesias. Foi a primeira vez que me coloquei como alguém que sofre violência e que se utiliza dela para reparar - ou achar que repararia - o mal que lhe causaram. Chorei em algumas cenas, de dor ou de emoção, pelo que via acontecer. Mas Olho por Olho é também uma linda história de amor. É uma ficção que facilmente se parece com a vida de muita gente. As escolhas têm consequências. Precisamos saber escolher.

Sobre a autora: Eliane Cristina nasceu no Rio de Janeiro e é membro da Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB). Mestre em Direito Público, a escritora também publicou os livros "Marias" (Editora Panóplia, 2025) e "O Rapto das Cores" (Editora Panóplia, 2025).
 
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