O trabalho remoto, as longas jornadas diante do computador e o uso excessivo de telas transformaram profundamente a rotina moderna. Se por um lado a tecnologia trouxe praticidade, por outro, criou um comportamento cada vez mais comum e silenciosamente prejudicial à saúde vascular: ficar sentado por muitas horas seguidas.
O que antes era associado a pessoas mais velhas ou com histórico familiar importante, hoje começa a aparecer cada vez mais cedo. Jovens adultos já relatam sintomas como sensação de peso nas pernas, inchaço ao final do dia e surgimento precoce de microvasos. E o impacto do homeoffice durante e após a pandemia, fez as queixas de desconforto e inchaço nas pernas serem muito frequentes no consultório vascular.
Quando a circulação desacelera
O sistema venoso depende do movimento muscular para funcionar de forma eficiente. Ao caminhar, os músculos da panturrilha atuam como uma “bomba” que impulsiona o sangue de volta ao coração. Quando o corpo permanece imóvel por longos períodos, esse mecanismo natural perde eficiência.
Segundo a Dra. Dafne Leiderman, médica e cirurgiã vascular formada pela USP, com doutorado pelo Hospital Israelita Albert Einstein e diretora da SBACV regional São Paulo, o sedentarismo digital já é uma realidade observada na prática clínica:
“O tempo prolongado sentado reduz o retorno venoso e favorece a sobrecarga das veias das pernas. Com o passar do tempo, isso pode contribuir para sintomas precoces e para o surgimento de alterações venosas em pessoas cada vez mais jovens.”
Jovens com sintomas antes considerados tardios
A nova dinâmica de trabalho e lazer baseada em telas tem antecipado queixas antes comuns apenas após os 40 ou 50 anos. Hoje, é cada vez mais frequente observar:
- Microvasos surgindo mais cedo
- Sensação de peso nas pernas ao final do dia
- Inchaço leve e recorrente
- Desconforto ao permanecer muito tempo sentado
- Cansaço localizado nos membros inferiores
Embora esses sintomas nem sempre indiquem doença venosa instalada, eles podem ser sinais iniciais de sobrecarga circulatória.
Trabalho remoto e comportamento sedentário
O home office eliminou deslocamentos e reduziu a movimentação diária. Em muitos casos, a jornada profissional se mistura com o tempo de lazer, tudo diante do mesmo computador ou celular.
Longos períodos sentados, postura inadequada, poucas pausas e ausência de atividade física regular criam um cenário propício para a estagnação venosa. “Não é apenas a falta de exercício intenso que impacta a circulação. A ausência de movimento ao longo do dia já é suficiente para gerar sintomas”, explica a especialista.
Microvasos podem ser o primeiro sinal
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