Ensino de língua japonesa no Brasil cresce 18,2% - Joana D'arc

Destaque

20 outubro 2026

Ensino de língua japonesa no Brasil cresce 18,2%

Pesquisa da Fundação Japão em São Paulo mostra expansão do idioma no ensino formal; cerca de 75% dos estudantes do ensino regular e das universidades não têm ascendência japonesa

Após nove anos sem uma nova edição, a Fundação Japão em São Paulo divulga os resultados da “Pesquisa de Dados sobre o Ensino de Língua Japonesa no Brasil na Educação Infantil, Ensino Fundamental, Médio e Superior 2026”. O levantamento atualiza os dados publicados em 2017 e revela mudanças importantes no perfil e na presença do idioma no sistema educacional brasileiro.

Em 2026, 13.395 alunos estudam japonês em instituições de educação infantil, ensino fundamental, médio e superior no país, ante 11.334 registrados na pesquisa de 2017, o que representa um crescimento de 18,2%.

Pela primeira vez, o levantamento contabiliza separadamente as instituições que oferecem aulas de língua e cultura japonesas na educação infantil. Atualmente, 24 escolas no Brasil oferecem o ensino nesse nível, todas particulares, reunindo 1.867 alunos.

Entre as mudanças identificadas pela Fundação Japão em São Paulo está o crescimento do número de escolas que oferecem o idioma por meio dos Centros de Estudos de Línguas (CEL), projeto da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, acompanhado também pelo aumento do número de professores nessa modalidade.

Além de São Paulo, iniciativas desenvolvidas por secretarias de Educação de diferentes estados contribuíram para a implantação de cursos de língua japonesa em escolas públicas, de forma extracurricular, optativa ou obrigatória.

Para Mayumi Yoshikawa, professora efetiva de língua japonesa e coordenadora da pesquisa, a expansão da oferta na rede pública tem um papel importante na ampliação do acesso ao idioma. “Creio que, com essa abertura e o surgimento de diversas iniciativas desta natureza, o ensino público exerce um papel fundamental para que os alunos de escolas públicas, que na sua maioria não conseguem acesso a um curso de línguas estrangeiras pago, possam ter uma oportunidade que poderá abrir mais portas, não somente no Brasil, como em todo o mundo. No caso da língua japonesa, o aluno poderá conhecer melhor o Japão e sua cultura e, com isso, tornar-se uma pessoa com uma mente aberta para acolher melhor outras culturas”, explica.

Historicamente, o ensino de língua japonesa no Brasil teve início voltado principalmente aos descendentes de japoneses, em cursos mantidos por associações nipo-brasileiras ou nas casas de professores. Os dados atuais mostram, porém, que esse cenário vem se modificando.

A “Pesquisa de Dados sobre Instituições de Ensino de Língua Japonesa no Mundo em 2024”, realizada pela Japan Foundation, contabilizou 26.708 estudantes de japonês no Brasil. Ao relacionar esse universo aos 13.395 alunos identificados na pesquisa de 2026 em instituições de educação infantil, ensino fundamental, médio e superior, observa-se que aproximadamente 50,1% dos estudantes estão em cursos oferecidos por escolas de ensino regular ou universidades. Os outros 49,9% estudam em associações nipo-brasileiras, cursos particulares e escolas de idiomas.

Outro resultado que chama a atenção é o perfil dos estudantes. Aproximadamente 75% dos alunos de língua japonesa no ensino regular e nas universidades não têm ascendência japonesa, tendência que já havia sido identificada em 2017 e permanece no levantamento de 2026.

Para Yoshikawa, o resultado reflete uma ampliação do interesse pela língua e pela cultura do país para além da comunidade de descendentes. “Acredito que a língua e a cultura japonesas têm sido mais aceitas, e a tendência será de uma compreensão mais ampla delas por parte das pessoas que não têm nenhuma ascendência nipônica. Há também o fator ‘interesse em mangás e animes japoneses’, notado em diversos cursos de língua japonesa. No entanto, nas universidades, tem-se percebido o interesse em estudar em universidades japonesas, o que é uma motivação forte para os que aprendem a língua no ensino superior”, afirma.

O levantamento da Fundação Japão em São Paulo sobre o ensino de língua japonesa na educação infantil e nos ensinos fundamental, médio e superior oferece um novo retrato da presença do idioma no Brasil, permitindo acompanhar a evolução do número de alunos e professores e as mudanças na distribuição dos cursos pelo país. Os dados também servem de referência para compreender os caminhos percorridos pelo ensino do japonês e os novos espaços que ele vem ocupando no cenário educacional brasileiro.

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