Dia Nacional do Livro: executivos e especialistas indicam obras de autores brasileiros - Joana D'arc

Destaque

29 outubro 2026

Dia Nacional do Livro: executivos e especialistas indicam obras de autores brasileiros


Celebrado em 29 de outubro, o Dia Nacional do Livro é uma oportunidade para redescobrir autores brasileiros e conhecer diferentes perspectivas sobre a sociedade, a cultura, a história e os desafios contemporâneos. Para marcar a data, executivos e especialistas de diferentes setores da economia brasileira compartilham obras que os marcaram, explicam por que as recomendam e mostram como a literatura pode ampliar repertórios, provocar reflexões e inspirar novas formas de enxergar o mundo.

Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda

Para Gabriel Cunha, especialista em IA da Oracle, a leitura é uma oportunidade de ampliar o repertório e conhecer diferentes perspectivas sobre a formação do país. “A inteligência artificial tem padronizado cada vez mais as formas de expressão e a linguagem. Por isso, é importante buscar leituras diversas, que estimulem a curiosidade e ampliem nosso conhecimento. Raízes do Brasil é uma ótima obra para conhecer novos olhares sobre o país e refletir sobre nossa formação desde os tempos da colonização”.

 

Virando a Própria Mesa (originalmente publicado como Maverick), de Ricardo Semler

Fernanda Weiden, CTO da Caju, empresa de tecnologia para benefícios corporativos, despesas e gestão de pessoas, recomenda a obra pelas reflexões que propõe sobre autonomia e modelos de gestão. O livro apresenta a experiência de transformação de uma empresa baseada em princípios como autogestão, salários definidos pelos próprios funcionários e ausência de controle de ponto.

“Apesar de eu particularmente achar o pacote inteiro do método um tanto desafiador para implementar, o livro traz muitos insights sobre autonomia de equipes”, comenta.

Torto Arado, de Itamar Vieira Junior

Tomás Corrêa, cofundador e CTO da Robbin, indica o romance de Itamar Vieira Junior, que retrata a vida de duas irmãs no sertão baiano e aborda temas como desigualdade social, relações de trabalho, ancestralidade e religiosidade. Para ele, a obra dialoga com Vidas Secas, de Graciliano Ramos, ao mostrar como as condições de vida no sertão influenciam profundamente a experiência humana.

“Li Torto Arado e é impossível não compará-lo com Vidas Secas. Em muitos aspectos, acho que ele supera a obra de Graciliano Ramos. O que mais me impressionou é a maneira como a seca e a pobreza moldam a alma e a fé de quem vive no sertão. Elas não são só o cenário da história: estão dentro dos personagens, nas relações, nos rituais e no jeito de enxergar o mundo. É extraordinário”, afirma.

Escrever é humano, de Sérgio Rodrigues

Henrique Meyer, cofundador da Robbin, recomenda o livro de Sérgio Rodrigues, publicado em 2024, que aborda a relação entre escrita, linguagem e inteligência artificial. A obra parte de uma questão especialmente relevante diante do avanço das ferramentas generativas: a IA já escreve melhor do que os seres humanos?

“Do mesmo autor de Viva a língua brasileira! (outro belo livro!), faz a pergunta do momento: IA já escreve melhor que nós? Bela provocação para nós que não vivemos sem IA”, comenta.

Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak

Gabriela Brandão Moraes, head de Marketing da BlissHub, indica a obra do escritor e pensador indígena Ailton Krenak, que questiona a separação entre humanidade e natureza e propõe uma reflexão sobre outras formas de se relacionar com o planeta. O livro também critica a lógica do consumo e valoriza os saberes e as narrativas de povos indígenas.

Para Gabriela, Krenak nos lembra de que rios, florestas e montanhas fazem parte de uma rede de vida da qual também somos integrantes. A ideia de adiar o fim do mundo está ligada à possibilidade de preservar diferentes formas de existir, sonhar e contar histórias, em contraposição a uma visão de mundo centrada apenas no consumo.

Miss Dollar, de Machado de Assis

Matheus Reis, CEO da Back4you, escolhe o conto Miss Dollar, de Machado de Assis, por sua reflexão sobre o tempo e a maneira como ele transforma sentimentos e relações. O executivo conta que a temporalidade é um tema que desperta seu interesse, tanto na literatura quanto na vida cotidiana.

Entre as passagens que mais o marcaram está a reflexão do narrador sobre a ausência e a intensidade das paixões: “A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, como o vento apaga as velas e atiça as fogueiras”.

De volta ao Jogo: a história de sucesso, dramas e viradas do BTG Pactual

Douglas Souza, CEO da MIT Sloan Management Review Brasil e do CNEX, recomenda o livro sobre a trajetória do BTG Pactual por resgatar a história de uma empresa de sucesso e destacar fatores que permanecem relevantes mesmo diante das transformações tecnológicas.

“Em um mundo de muita informação, é sempre bom voltar às origens de empresas de sucesso e reconhecer a importância de algo que, independentemente das ondas tecnológicas, sempre permanece relevante: qualidade do time e ambição positiva em construir negócios relevantes”, afirma.

Bom dia, Inverno, de Tamara Klink

Sophia Shigueoka, head de cybersegurança da Core AI, indica o livro “Bom dia, Inverno”, de Tamara Klink. Com leitura marcada sobretudo pela sensação de liberdade que transmite, a narrativa convida a olhar para o mundo e para nós mesmos a partir de outra perspectiva, despertando reflexões sobre autonomia, coragem e a possibilidade de sair do lugar-comum. 

O livro inspira a abraçar o desconhecido, respeitar o próprio ritmo e descobrir novos horizontes, dentro e fora.  “A leitura deste livro foi bastante revigorante, por transmitir tanta liberdade.”, comenta Shigueoka

Nenhum comentário:

Postar um comentário