Em "O Caminho da Obediência", o pastor e fundador da Orvalho.com sistematiza a doutrina bíblica da obediência e argumenta que o evangelho não termina no perdão, mas restaura aquilo que se perdeu no Éden
Escrito em nove dias, após um período de jejum e oração no início de 2024, o novo livro de Luciano Subirá — pastor há mais de três décadas e fundador da Orvalho.com, ministério de ensino bíblico sediado em Curitiba — nasce de um incômodo pastoral que ele descreve logo nas primeiras páginas: “Creio que nunca tivemos tanto conhecimento, tanto acesso à informação e tanta revelação das Escrituras e, ao mesmo tempo, temos nos tornado uma geração de crentes ‘cabeções’. A cabeça, cheia de teoria, desenvolveu-se; porém, o corpo, limitado a tão pouca prática da Palavra, atrofiou-se".
O Caminho da Obediência: Como viver a verdade em que cremos e que pregamos (Editora Vida) é uma sistematização da doutrina bíblica da obediência em treze capítulos, que percorrem o mandamento no Éden, a dádiva e a limitação da lei, a mudança de lei em Cristo, a capacitação prometida na nova aliança e, por fim, a prática diária que sustenta a caminhada cristã.
A tese: o evangelho da obediência
O ponto central do livro é uma correção de rota na forma como o evangelho tem sido pregado. Para Subirá, reduzir as boas-novas à remoção da condenação é “torná-lo manco”: “O objetivo da redenção não é apenas perdoar a desobediência cometida, mas restaurar a obediência perdida".
Ele apoia o argumento no episódio da mulher apanhada em adultério: o “também eu não a condeno” de Jesus vem acompanhado de um “vá e não peque mais” (João 8.11). “Quando enfatizamos demais um princípio, corremos o risco de silenciar outro”, escreve o autor. “‘Não a condeno’ não anula o ‘não peque mais’.”
A partir daí, o livro trata a graça não como permissão, mas como capacitação. “Jesus jamais ordenaria algo impossível”, afirma Subirá. Na antiga aliança havia incapacidade e falência; em Cristo, há perdão e poder para viver em obediência.
Um tema em falta nos púlpitos
Subirá observa que a palavra “obediência” se tornou escassa na pregação contemporânea e recorre a Andrew Murray para dizer o que pensa: “Eu suspeito que a Igreja não tem dado a esta palavra obediência a importância que Cristo deu".
O livro dedica um capítulo inteiro ao que o autor chama de padrões distorcidos de obediência, modelos que “embora pareçam piedosos, são na verdade prejudiciais e perigosamente enganosos”. São quatro: a obediência aparente, a parcial, a temporária e o orgulho da obediência. Sobre a primeira, ele é direto: “Não adianta passar horas em um templo, ouvir a Palavra com atenção, dizer ‘amém’ a tudo o que Deus requer — se não houver obediência real".
A inclinação e as disciplinas espirituais
A parte final da obra é a mais prática. Partindo de Romanos 8.5-8: “os que vivem segundo o Espírito se inclinam para as coisas do Espírito”. Subirá desenvolve o que chama de “o poder da inclinação”, diante das duas naturezas, cabe ao cristão escolher, diariamente, para qual lado se inclinar.
O autor insiste que essa escolha não se cumpre pela força de vontade. “Tentamos dominar a inclinação da carne na força da própria carne. Não faz sentido algum!” A saída, segundo ele, está nas disciplinas espirituais: oração, leitura e meditação bíblica, louvor e adoração, e jejum, que ele apresenta na linha de John Wesley, como “meios da graça”: canais por onde a graça se manifesta na vida diária, e não obras meritórias.
Sobre o jejum, a disciplina que considera a mais negligenciada, Subirá fala a partir de mais de 35 anos de prática pessoal, intensificada nos últimos anos. Recentemente, passou a concentrar várias disciplinas em períodos de jejum prolongado, lendo a Bíblia inteira durante a abstinência e dedicando tempo diário à oração e à adoração.
A conclusão desse trecho resume a proposta do livro:
“O que sustenta o cristão e o torna espiritualmente forte não são as experiências espetaculares, mas a perseverança nas disciplinas espirituais, pela fé. Perseverando no ordinário, criamos a base para que o Senhor manifeste o extraordinário."
Obediência se aprende
Contra a expectativa de transformação instantânea, o último capítulo sustenta que a obediência é progressiva, e usa como argumento o próprio Cristo, que, “embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hebreus 5.8). “Ninguém amadurece espiritualmente da noite para o dia”, escreve Subirá, que recupera um conselho recebido na adolescência: “Não mire o topo da escada, mire o próximo degrau.”
O Caminho da Obediência é dedicado a Aela Maria, Fineas John e Kalel Peter — os netos do autor — e, por extensão, a toda a sua descendência. A dedicatória parte de Gênesis 18.19, texto em que Deus designa a Abraão a missão de educar as próximas gerações a andarem em obediência. Em uma “nota de compromisso” na abertura do livro, Subirá promete manter a lista de nomes atualizada nas próximas edições, conforme novos netos chegarem.
A obra também fecha um arco na produção do autor. Subirá identifica a obediência como o fio condutor entre três livros anteriores — De Todo o Coração (2009, ampliado em 2019), O Impacto da Santidade (2018) e Graça Transformadora (2021) — e retoma, de forma organizada, princípios já trabalhados neles. Esse conjunto foi construído ao longo de mais de quinze anos de ensino na Orvalho.com. E termina com uma pergunta dirigida ao leitor: “Eu fiz minha escolha pela obediência — e decidi continuar escolhendo-a todos os dias. E você?”
Sobre o autor: Luciano Subirá: é pastor, escritor e idealizador da Orvalho.com, um ministério de ensino bíblico. Autor best-seller no Brasil, tem obras publicadas também em inglês e espanhol. Sua influência se estende ao mundo digital, com programas, vídeos e podcasts que somam milhões de visualizações. Luciano Subirá e sua esposa, Kelly, são pais de Israel e Lissa, e vivem em Curitiba, onde servem como pastores da Comunidade Alcance.
Instagram: @lucianosubira
Sobre a editora: Com mais de 60 anos de atuação promovendo o crescimento espiritual do leitor, a Editora Vida é uma das principais casas editoriais cristãs do Brasil. Seu catálogo abrange espiritualidade, ficção, vida cristã, teologia e público infantil e jovem, com enfoque contemporâneo e respeito a obras clássicas. É reconhecida pela publicação de Bíblias em diversas versões, edições especiais e traduções inéditas.
Instagram: @editora_vida
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