Um Adeus ao Gênio, um Até Logo ao Amigo - Joana D'arc

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25 fevereiro 2026

Um Adeus ao Gênio, um Até Logo ao Amigo


Conheci o Barata Cichetto em 2012, através de uma amiga em comum, a Joanna Franko, e o impacto dessa amizade foi imediato. Já no ano seguinte, em 2013, ele me convidou para mergulhar em seus projetos literários, um convite que mudaria minha relação com as palavras. Tive a honra de participar de dois de seus livros, incluindo a coletânea de poesia 33 RPM - Relicário de Poesia Marginal, e integrei a equipe da revista Politicamente Incorreto ao Quadrado. Lembro com especial carinho do lançamento do volume 4 da revista Gatos & Alfaces, com a coletânea Ainda Respira Gatos & Alfaces Rock Collection, momento em que pude finalmente conhecê-lo pessoalmente e confirmar a força da sua presença.

O Barata era um poeta visceral, dono de uma obra marcada pela intensidade lírica, por uma sagacidade poética cortante e por uma inteligência sensível e absolutamente única. Ele possuía um espírito underground agregador, um eterno criador que dava vida a editoras alternativas, rádios independentes e, mais recentemente, ao seu fantástico canal no YouTube, onde realizava semanalmente o programa Lanchonete do Barata. Mas, além do gênio cultural, ele era um amigo de uma gentileza rara. Estava sempre pronto para ajudar e tirar dúvidas, funcionando como um porto seguro para as minhas inseguranças.

Lembro-me bem de como ele me incentivava a ler minhas poesias em público. Quando eu confessava o meu medo de plateia, ele não passava a mão na cabeça; dizia com firmeza que aquilo não era bom e que eu teria que enfrentar o mundo. Ele acreditava no poder da voz tanto quanto no da escrita. Hoje, sinto que o mundo perde um gênio e a cultura perde uma de suas vozes mais autênticas. Nós, que tivemos o privilégio de conviver com ele, perdemos um amigo insubstituível. Fica a saudade e o compromisso de honrar seu legado, que será, de agora em diante, nossa eterna companhia.

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