Por anos, a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto ouviu as mesmas histórias de diferentes mulheres: dor persistente nas pernas, sensação de peso, hematomas frequentes — e uma frustração silenciosa com tratamentos que não funcionavam. A maioria dessas pacientes já havia passado por endocrinologistas, esteticistas e até cirurgias plásticas. Mas o que elas tinham, de fato, era lipedema — uma doença ainda pouco conhecida, mesmo entre profissionais da saúde.
“Muitas chegaram até mim dizendo: ‘fiz de tudo, mas nada resolve’. Isso me doía como mulher e como profissional”, conta Mariana, que é mestre em Ciências Médicas e referência no tratamento clínico do lipedema.
Foi a partir dessa indignação, e da escuta atenta às dores de suas pacientes, que ela decidiu criar um curso 100% online para capacitar fisioterapeutas, terapeutas e outros profissionais da saúde a identificar corretamente o lipedema e propor um tratamento funcional, responsável e acolhedor.
Quando a escuta vira formação
A formação, batizada de "Jornada Desvendando o Lipedema", oferece conteúdos aprofundados sobre sinais clínicos, diagnóstico diferencial e condutas terapêuticas adaptadas a cada estágio da doença. O curso abrange desde a análise de sintomas como dor ao toque, inchaço persistente e desproporção corporal até técnicas como drenagem linfática manual específica, uso da compressão e fisioterapia funcional adaptada.
Mais do que um curso técnico, Mariana acredita que sua formação entrega algo essencial: sensibilidade.
“A mulher com lipedema muitas vezes chega quebrada emocionalmente. Já foi chamada de preguiçosa, de gulosa, de exagerada. Capacitar profissionais é também ensinar a acolher sem julgamento”, diz.
Uma doença subestimada por quem deveria cuidar
Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde apenas em 2019, o lipedema ainda é confundido com obesidade ou retenção de líquidos. Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), até 12% das mulheres no país podem ter a condição, mas a maioria não sabe — e nem os médicos desconfiam.
É por isso que Mariana defende que formar profissionais conscientes é parte da cura coletiva. “Não tem milagre. Mas tem ciência, escuta e formação contínua. É assim que a gente muda o cenário para essas mulheres”, afirma Mariana.
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