No livro "60 Dias para Mudar", o frei capuchinho Maurício Solfa propõe uma pergunta simples, mas desconfortável: você cuida de si com a mesma atenção que dedica aos outros?
Cuidar dos outros é um dos gestos mais bonitos que existem. Perceber a dor de alguém, oferecer uma palavra amiga, uma presença verdadeira, um gesto, tudo isso tem muito valor. Mas o Frei Maurício Solfa mostra que essa mesma generosidade pode esconder um problema: aprendemos a olhar para fora e esquecemos de olhar para dentro.
"Durante muito tempo, pensei que cuidar do próximo fosse uma das formas mais bonitas de amar. Há uma beleza em estar disponível, em perceber a dor de alguém, em oferecer uma oração. O problema é que, nesse cuidado com o outro, podemos esquecer que também precisamos de cuidado", revela o Frei, autor do livro 60 Dias para Mudar – Caminhos para a manifestação da mudança que desejo.
Para o frade capuchinho, autocuidado não é sinônimo de conforto ou lazer. É a disposição de parar e perguntar como se está, o que se sente, do que se precisa, mesmo quando a resposta é desconfortável. No livro, ele defende que negligenciar essa pergunta tem um custo: aos poucos, a pessoa vai se abandonando, mesmo continuando a sorrir, trabalhar e servir por fora.
É dessa reflexão que nascem as seis lições que ele reúne abaixo. Nenhuma pede grandes rupturas. Todas convocam à mesma coisa: parar e se escutar.
- Descansar não é perder tempo
"Existe uma hora para trabalhar e uma hora para descansar. Confundir as duas é o primeiro grande erro", ensina Frei Maurício Solfa. Para ele, o descanso é parte do cuidado, não uma pausa nele.
Na prática: escolha um horário fixo do dia (20 minutos bastam) em que nenhuma tarefa entra. Sem celular, sem lista de afazeres. Só parar.
- Cuidar de si começa com quatro perguntas
Segundo ele, autocuidado não é sobre viagem ou spa. Significa parar e perguntar: como estou, do que preciso, o que está me fazendo mal, o que preciso deixar de fazer. São perguntas simples. O difícil é ter coragem de responder.
Na prática: escolha um dia fixo da semana e escreva à mão, sem filtro: como estou? Do que estou precisando? O que está me fazendo bem? O que está me fazendo mal? Nomear o que se sente já é uma forma de cuidado.
- Aceitar ajuda também é maturidade
Frei Maurício Solfa defende que receber cuidado dos outros é parte do processo espiritual, não sinal de fraqueza. "Há um orgulho escondido em querer ser sempre quem ajuda. Aceitar ajuda também é fé", orienta.
Na prática: na próxima vez que alguém oferecer ajuda, diga "sim" em vez do automático "não precisa, eu dou conta".
- Autocuidado não é egoísmo
A diferença, segundo ele, é clara: "Egoísmo é colocar o mundo a serviço de mim. Autocuidado é admitir que eu também tenho limite". Ele representa isso com uma imagem no livro: até uma vela precisa de cera para continuar iluminando.
Na prática: antes de dizer sim a um novo pedido, pergunte se você tem "cera" sobrando essa semana. Se a resposta for não, dizer não também é cuidado.
- O valor de alguém não está no que essa pessoa produz
É a base espiritual do livro. "Deus não ama pela utilidade. Isso parece simples, mas pode levar uma vida para descer da cabeça até o coração", escreve. Para sentir isso na prática, ele sugere reservar um momento de oração ou silêncio em que nada seja pedido. Nenhuma lista, nenhum problema para resolver. Só presença.
- O compromisso mais importante é não se abandonar
Para o religioso, autocuidado pode ser resumido a um pacto pessoal: cuidar de si, se amar e nunca se abandonar. Não é uma frase de efeito. É quase um contrato que a pessoa firma consigo mesma, renovado todos os dias.
Na prática: escreva esse compromisso em algum lugar visível (na agenda, no espelho ou na geladeira) e releia nos dias em que for mais fácil esquecer dele.
Ficha Técnica:
Título: 60 dias para Mudar – Caminhos para a manifestação da mudança que desejo
Autor: Frei Maurício Solfa
Editora: Uiclap
ISBN: 978-65-008-2804-7
Idade recomendada: a partir de 15 anos
Páginas: 309
Preço: R$ 61,06 (livro físico) ou R$ 19,90 (ebook)
Onde encontrar: Editora Uiclap e Amazon
Sobre o autor: Frei Maurício Solfa entrou para o seminário com os Freis Capuchinhos em 1999, sendo ordenado padre em 2009. Estudou Filosofia e Teologia, é psicanalista, pós-graduado em Espiritualidade Franciscana e, atualmente, cursa pós-graduação em Bíblia. 60 dias para mudar é seu quarto livro. Trabalha como Vigário Paroquial em Cruzeiro do Oeste-PR, na paróquia Nossa de Fátima.
Instagram: @freimauriciosolfa_
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