11 de Outubro — Dia Nacional de Prevenção da Obesidade - Joana D'arc

Destaque

06 outubro 2026

11 de Outubro — Dia Nacional de Prevenção da Obesidade


O Dia Nacional de Prevenção da Obesidade é celebrado no Brasil em 11 de outubro. Seu objetivo é conscientizar a população sobre a importância da prevenção, a prevalência do excesso de peso e seus impactos na saúde. Também busca incentivar hábitos de vida saudáveis, combater o preconceito associado às pessoas que vivem com a doença e destacar a importância do acompanhamento médico e nutricional individualizado.


A obesidade é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica e recidivante, resultante de interações complexas entre genética, mecanismos de regulação do apetite, comportamento alimentar, dificuldades de acesso a uma alimentação saudável e condições sociais e ambientais.


Nas últimas décadas, mudanças nos sistemas alimentares, nas formas de trabalho, nos deslocamentos e nos hábitos de vida favoreceram ambientes que facilitam o ganho de peso. 


Prevalência 


Segundo a OMS, em 2022, 2,5 bilhões de adultos apresentavam excesso de peso, incluindo mais de 890 milhões que viviam com obesidade. A doença atingia cerca de 16% da população mundial com 18 anos ou mais, e sua prevalência mais que dobrou entre 1990 e 2022.

O avanço também ocorreu entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos: nesse grupo, à proporção que vivia com obesidade passou de 2% para 8% no mesmo período, alcançando mais de 160 milhões de jovens em 2022. 


No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que a prevalência de obesidade entre adultos das capitais e do Distrito Federal passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024, um aumento de aproximadamente 118%. 


A situação de crianças e adolescentes também merece atenção. Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2026, da Federação Mundial de Obesidade, estima-se que, em 2025, cerca de 38% dos brasileiros de 5 a 19 anos apresentavam sobrepeso ou obesidade quase o dobro da média mundial, de 20,7%.



Classificação do sobrepeso e a obesidade?


Em adultos, o Índice de Massa Corporal (IMC) é calculado dividindo o peso, em quilos, pela altura, em metros, multiplicada por ela mesma:


IMC = peso ÷ (altura × altura)

Resultados a partir de 25 e menores que 30 kg/m² indicam sobrepeso. Valores iguais ou superiores a 30 kg/m² indicam obesidade.

Em crianças e adolescentes, a avaliação considera a idade e o sexo, utilizando curvas de crescimento específicas. Dos 5 aos 19 anos, compara-se o IMC com os valores de referência para a idade. Nos menores de 5 anos, avalia-se o peso em relação à altura. Por isso, os valores usados para classificar sobrepeso e obesidade em adultos não se aplicam a essas faixas etárias.


Fatores de risco

O desenvolvimento da obesidade envolve a interação de diversos fatores, como:


  • Predisposição genética e histórico familiar: influenciam o apetite, o armazenamento e a distribuição da gordura corporal e a suscetibilidade ao ganho de peso.


  • Alimentação: padrões alimentares que favorecem a ingestão de energia acima das necessidades do organismo, incluindo o consumo frequente de bebidas açucaradas e alimentos de alta densidade energética, podem contribuir para o ganho de peso.


  • Pouca atividade física e comportamento sedentário: a prática insuficiente de atividade física e o tempo prolongado sentado são fatores distintos que podem favorecer o ganho de peso.


  • Sono insuficiente: está associado ao ganho de peso e pode influenciar a fome, as escolhas alimentares e a quantidade de alimentos consumidos.


  • Fatores psicológicos: estresse prolongado, depressão e episódios de compulsão alimentar podem contribuir, com efeitos que variam entre as pessoas.


  • Ambiente e condições sociais: preço e disponibilidade dos alimentos, condições de trabalho e acesso a espaços seguros para atividade física influenciam a possibilidade de manter hábitos saudáveis.



  • Medicamentos e algumas condições clínicas: determinados medicamentos e doenças podem favorecer o ganho de peso e devem ser considerados na avaliação individual.


Impactos na saúde


O excesso de peso e a obesidade estão associados ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alguns tipos de câncer, doença renal e esteatose hepática. 

Depressão e ansiedade também podem estar relacionadas à obesidade, em uma relação complexa que envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais.

Na infância e na adolescência, os impactos também incluem maior risco de desenvolver essas doenças precocemente e de permanecer com obesidade na vida adulta. Além das consequências físicas, o estigma, a discriminação e o bullying podem comprometer o bem-estar e a qualidade de vida. 


Prevenção e cuidado ao longo da vida


A prevenção começa nos primeiros anos de vida e envolve estratégias que devem ser mantidas ao longo do tempo. Entre as medidas recomendadas pela OMS estão:


  • Gestação e primeiros anos de vida: acompanhar o ganho de peso na gravidez, apoiar o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e sua continuidade até os dois anos ou mais.


  • Alimentação: priorizar frutas, hortaliças, leguminosas, grãos integrais e castanhas, além de limitar bebidas açucaradas e alimentos de alta densidade energética.


  • Movimento: praticar atividade física regularmente, reduzir o tempo sedentário e limitar o uso de telas, especialmente entre crianças e adolescentes.


  • Sono e bem-estar emocional: cuidar da duração e da qualidade do sono e oferecer apoio às dificuldades emocionais que interferem nos hábitos de vida.


  • Acompanhamento profissional: avaliar a evolução do peso, a pressão arterial, a glicemia e os lipídios, além de identificar condições associadas e definir o cuidado individualizado. Quando necessário, o tratamento pode incluir medicamentos ou cirurgia. 

Além das calorias, o tipo de alimento importa

Além das calorias, o tipo de alimento importa

Na prevenção e no tratamento da obesidade, a atenção à alimentação precisa ir além da contagem de calorias. A composição das refeições e os tipos de alimentos consumidos também merecem atenção.


Um ensaio clínico de 2025, publicado na Nature Medicine, avaliou 55 adultos que receberam duas dietas por oito semanas cada: uma à base de alimentos minimamente processados e outra de ultraprocessados. Ambas seguiam orientações alimentares britânicas, e os participantes podiam comer livremente, sem uma meta fixa de calorias.


Houve perda de peso nas duas condições, mas a redução média foi maior com a dieta minimamente processada: 2,06% versus 1,05% do peso corporal.

Em outro ensaio clínico, publicado em 2019 na Cell Metabolism e realizado nos Estados Unidos, 20 adultos receberam uma dieta com ultraprocessados e outra sem ultraprocessados, por duas semanas cada. As refeições oferecidas foram planejadas para ter quantidades semelhantes de calorias, macronutrientes, açúcares, sódio e fibras, mas os participantes podiam comer quanto desejassem.


Durante as duas semanas com ultraprocessados, consumiram, em média, 508 calorias a mais por dia e ganharam cerca de 900 gramas. Nas duas semanas sem ultraprocessados, perderam aproximadamente 900 gramas. A velocidade de ingestão também foi maior na primeira condição, mostrando que as características dos alimentos podem influenciar a forma e a quantidade que comemos.


Isso mostra que o déficit calórico faz parte do processo de emagrecimento, mas os alimentos escolhidos influenciam a quantidade que consumimos. Por isso, uma orientação alimentar precisa considerar tanto a quantidade quanto a qualidade do que vai ao prato.



Escrita por:

Adriana Stavro - Nutricionista Mestre pelo Centro Universitário São Camilo 

Curso de formação em Medicina do Estilo de Vida pela Universidade de Harvard Medical School

Especialista em Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) pelo Hospital Israelita Albert Einstein 

Pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional pelo Instituto Valéria Pascoal (VP) Pós-graduada EM Fitoterapia pela Courses4U.

Instagram - @nutriadrianastavro - Mais informações https://lattes.cnpq.br/

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