Impactos na saúde
O excesso de peso e a obesidade estão associados ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alguns tipos de câncer, doença renal e esteatose hepática.
Depressão e ansiedade também podem estar relacionadas à obesidade, em uma relação complexa que envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais.
Na infância e na adolescência, os impactos também incluem maior risco de desenvolver essas doenças precocemente e de permanecer com obesidade na vida adulta. Além das consequências físicas, o estigma, a discriminação e o bullying podem comprometer o bem-estar e a qualidade de vida.
Prevenção e cuidado ao longo da vida
A prevenção começa nos primeiros anos de vida e envolve estratégias que devem ser mantidas ao longo do tempo. Entre as medidas recomendadas pela OMS estão:
- Gestação e primeiros anos de vida: acompanhar o ganho de peso na gravidez, apoiar o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e sua continuidade até os dois anos ou mais.
- Alimentação: priorizar frutas, hortaliças, leguminosas, grãos integrais e castanhas, além de limitar bebidas açucaradas e alimentos de alta densidade energética.
- Movimento: praticar atividade física regularmente, reduzir o tempo sedentário e limitar o uso de telas, especialmente entre crianças e adolescentes.
- Sono e bem-estar emocional: cuidar da duração e da qualidade do sono e oferecer apoio às dificuldades emocionais que interferem nos hábitos de vida.
- Acompanhamento profissional: avaliar a evolução do peso, a pressão arterial, a glicemia e os lipídios, além de identificar condições associadas e definir o cuidado individualizado. Quando necessário, o tratamento pode incluir medicamentos ou cirurgia.
Além das calorias, o tipo de alimento importa
Além das calorias, o tipo de alimento importa
Na prevenção e no tratamento da obesidade, a atenção à alimentação precisa ir além da contagem de calorias. A composição das refeições e os tipos de alimentos consumidos também merecem atenção.
Um ensaio clínico de 2025, publicado na Nature Medicine, avaliou 55 adultos que receberam duas dietas por oito semanas cada: uma à base de alimentos minimamente processados e outra de ultraprocessados. Ambas seguiam orientações alimentares britânicas, e os participantes podiam comer livremente, sem uma meta fixa de calorias.
Houve perda de peso nas duas condições, mas a redução média foi maior com a dieta minimamente processada: 2,06% versus 1,05% do peso corporal.
Em outro ensaio clínico, publicado em 2019 na Cell Metabolism e realizado nos Estados Unidos, 20 adultos receberam uma dieta com ultraprocessados e outra sem ultraprocessados, por duas semanas cada. As refeições oferecidas foram planejadas para ter quantidades semelhantes de calorias, macronutrientes, açúcares, sódio e fibras, mas os participantes podiam comer quanto desejassem.
Durante as duas semanas com ultraprocessados, consumiram, em média, 508 calorias a mais por dia e ganharam cerca de 900 gramas. Nas duas semanas sem ultraprocessados, perderam aproximadamente 900 gramas. A velocidade de ingestão também foi maior na primeira condição, mostrando que as características dos alimentos podem influenciar a forma e a quantidade que comemos.
Isso mostra que o déficit calórico faz parte do processo de emagrecimento, mas os alimentos escolhidos influenciam a quantidade que consumimos. Por isso, uma orientação alimentar precisa considerar tanto a quantidade quanto a qualidade do que vai ao prato.
Nenhum comentário:
Postar um comentário