Chen Zhongshi recria os conflitos que marcaram o país em romance histórico povoado de história e folclore - Joana D'arc

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13 fevereiro 2026

Chen Zhongshi recria os conflitos que marcaram o país em romance histórico povoado de história e folclore



NA TERRA DO CERVO BRANCO, um clássico moderno da literatura chinesa, está de volta ao catálogo da Editora Estação Liberdade.


Em maio de 2016, milhares de pessoas se reuniram para dar adeus a Chen Zhongshi em seu velório em Xi’an, capital da sua provincía-natal de Shaanxi. Nas suas últimas décadas de vida, o autor viu sua popularidade crescer imensamente – tudo por conta do sucesso internacional de Na terra do Cervo Branco, que, além de receber em 1997 o Mao Dun, prêmio literário máximo de seu país, vendeu milhões de exemplares e teve adaptações das mais diversas. 

TítuloNa Terra do Cervo Branco (白鹿原)

Autor: Chen Zhongshi

Romance histórico

Tradução: Ho Yeh Chia, Márcia Schmaltz, Mauro Pinheiro

Formato: 16 x 23 cm / 864 páginas

ISBN: 978-85-7448-304-7

 

A obra é fruto do esforço monumental de recriar as marés históricas e conflitos políticos do século XX na China, ao mesmo tempo acertando contas com a milenar tradição do país. Com o distanciamento da morte de Mao Tsé-Tung e uma gradual abertura do país ao exterior, novas possibilidades de pensar o período revolucionário apareceram na literatura a partir de 1990. É o movimento do novo romance histórico chinês, do qual esta obra é um dos principais representantes.

Neste contexto, Chen Zhongshi voltou seu olhar a sua terra-natal, Xi’an, simbólica por ter sido capital de várias dinastias de imperadores chineses desde a Antiguidade. Resgatando a riqueza da memória e da cultura locais e imbuindo-se do pensamento mágico que povoa a vida camponesa (e urbana) até hoje, ele concebeu Na Terra do Cervo Branco.


Sinopse

Na planície que dá nome ao livro, as famílias Bai (白“branco”) e Lu (鹿, “cervo”), parte de um mesmo clã, alternam-se no poder. Acompanhamos três gerações destas famílias, encabeçadas respectivamente pelo honrado líder regional Bai Jiaxuan e por seu amigo e rival Lu Zulin, enquanto tentam navegar a arrasadora onda de mudanças e destruição a que o povo chinês foi submetido na primeira metade do século XX.


Com o fim da dinastia Qing e a queda do Império, em 1912, os séculos de razoável estabilidade são substituídos por uma disputa sangrenta pelo poder. Primeiro, as guerras civis: sem a figura central do Imperador, os senhores feudais locais passam a brigar entre si. Logo, a disputa entre o Partido Nacionalista (Kuomintang) e o Partido Comunista, cada um com sua ideia de libertação popular. Ao mesmo tempo, a invasão japonesa e a devastadora Segunda Guerra Mundial. Novamente, a guerra total entre partidos, que culmina na Grande Marcha e na fundação da República Popular da China sob Mao Tsé-Tung. Com o estabelecimento do novo Estado revolucionário, novos valores e formas de vida vêm substituir a cultura arraigada há milênios.


Contra esse pano de fundo histórico, o elenco de personagens memoráveis criado por Chen Zhongshi compõe um retrato das formas possíveis de viver perante as catástrofes do destino. Conhecemos a ética e a organização da vida local em comunidade; experimentamos os rituais mágicos e simbólicos tradicionais, bem como a filosofia do confucionismo – incorporados no doutor Leng e no sábio Mestre Zhu. Acompanhamos personagens em busca de suas revoluções pessoais por meio da educação, do banditismo ou da adesão aos grupos de poder. Vemos a opressão patriarcal e as tentativas de libertação feminina, encarnadas em Xiao’e e na forte figura de Bai Ling. Por fim, vemos como, com contornos trágicos, as escolhas pessoais levam as famílias a lados opostos de uma guerra fratricida.


Concebido em 1987 e publicado em 1993 – período em que o autor voltou à zona rural da infância para mergulhar na atmosfera que queria recriar – Na Terra do Cervo Branco é um clássico moderno da literatura chinesa. O livro alçou Chen Zhongshi ao patamar de autores como Yu Hua ou o Prêmio Nobel Mo Yan, com a diferença de que, em vez de buscar uma literatura globalizada, ele trata de assuntos eminentemente chineses. A epígrafe do livro, de Balzac, afirma que o romance é como a “história secreta de um povo”. É esse o efeito do mergulho do autor na cultura chinesa. O épico é uma história universal do poder das escolhas em confronto com a violência do tempo, das disputas humanas e das mudanças. 


Sobre o autor


Chen Zhongshi nasceu em 1942, em uma região rural próxima a Xi’an, capital da província de Shaanxi, no nordeste da China. Chen teve origens camponesas humildes. Seu avô era professor e seu pai era uma das poucas pessoas alfabetizadas da região. Estreou na ficção em 1973, com um conto publicado em uma revista local, e seguiu publicando uma literatura de cunho realista e regional. Com a morte de Mao Tsé-Tung e a abertura do país, conheceu a literatura de autores estrangeiros como Anton Tchékhov, Honoré de Balzac e Gabriel García Márquez, além de novos olhares sobre a situação chinesa, transcendendo a visão oficial do Partido.


Refinando seu estilo e suas preocupações temáticas, ele se aprofundou cada vez mais nas pesquisas da vida cotidiana de sua região, usando como fontes o folclore e a tradição oral, bem como documentos e gazetas locais. Com estas pesquisas, produziu algumas novelas e também escreveu seu único romance, o monumental Na Terra do Cervo Branco, que lhe garantiu prestígio internacional. No final de abril de 2016, Chen Zhongshi faleceu, vítima de câncer, em sua cidade-natal de Xi’an.

 

· Um épico rico em detalhes históricos e curiosidades culturais. É leitura universitária obrigatória na China apesar do conteúdo explícito de violência e sexo, e de trazer uma visão crítica do período revolucionário.


· O romance vendeu milhões de exemplares na China e no Japão. Sua adaptação cinematográfica por Wang Quan’an foi premiada no Festival de Berlim em 2012. A adaptação mais recente para a TV chinesa (2017) foi uma superprodução: são 85 episódios, totalizando quase 65 horas de exibição. Com orçamento quase bilionário, a série reuniu atores e atrizes veteranos e foi produzida ao longo de mais de uma década.

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