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Setembro Amarelo: é tempo de proteger vidas

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01 setembro 2016

Alertar a sociedade sobre o suicídio como um problema de saúde pública é o objetivo da campanha; nove em cada dez casos podem ser evitados se os sinais forem percebidos a tempo.



Em todo o mundo, setembro é o mês de atenção ao autoextermínio, tendo seu ápice no dia 10, quando ocorre o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. “A cada 40 segundos morre uma pessoa por desistir da vida. Esses números precisam ser conhecidos para que suicidas e suas famílias, busquem ajuda imediatamente. Quando o assunto é a morte planejada, ninguém é culpado, mas todos somos vítimas”, alerta Dra. Maria Cristina de Stefano, psiquiatra.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que por ano mais de 800 mil pessoas cometem suicídio no mundo. É mais gente do que todos os mortos em guerras, vítimas de homicídios e desastres naturais. “Infelizmente, esses dados já devem ter crescido, pois o assunto ainda é tratado como tabu pelas famílias, as quais preferem não falar sobre o tema, e pela sociedade, que ainda banaliza a questão”, lamenta a psiquiatra.
A médica perdeu o filho Felipe aos 34 anos em 2012. Desde então, Dra. Maria Cristina promove a precaução do autoextermínio por meio de palestras para especialistas da área de saúde, estudantes universitários e membros de entidades e instituições. “É claro que dói falar do assunto, por outro lado, eu relembrarei aquele dia fatídico para sempre, a cada minuto, mesmo que não comente. Então, diante do fato, é muito melhor poder ajudar outras pessoas a se salvarem, contando minha história e promovendo a prevenção”, afirma.
As estatísticas também reforçam que 9 em cada 10 casos podem ser previstos caso as pessoas que convivem com o suicida detectem os sinais. “Não percebi a gravidade do estado de Felipe, até porque ele era muito independente e fechado em si mesmo. Só depois de ler os diários deixados por ele é que tive certeza do quanto estava doente mentalmente”, lamenta.
Dra. Maria Cristina decidiu se posicionar e publicou o diário deixado pelo filho. ‘Suicídio: a epidemia calada’ é um resumo dos três últimos anos de vida de Felipe. “Diante do suicídio, calam-se as famílias, os médicos, a imprensa e a sociedade. Eu não poderia ficar em silêncio”, afirma.
Impedir a continuidade dessa epidemia é o principal objetivo das ações de Dra. Maria Cristina. “A cada um suicida, em média, seis pessoas são atingidas por um quadro depressivo. Existem vários mitos, como achar que mencionar a palavra ‘suicídio’ fará com que o número de mortes aumente. Pelo contrário, falar sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que os pensamentos trazem”, ensina.
Os maiores registros de suicídio estão entre pessoas de 70 anos ou mais, porém, os jovens, de 15 a 29 anos, já correspondem a 8,5% dos índices mundiais. “Às vezes tudo o que essas pessoas precisam é de atenção. Nós, como seres humanos, muitas vezes ignoramos quando as pessoas lamentam da vida. Um parente ou um amigo pode não estar bem e não ser pieguice, mas sim doença”, alerta a psiquiatra.

EXPOSIÇÃO / O filho de Dra. Maria Cristina também deixou quadros pintados. Nas obras, Felipe também registra silenciosamente o agravamento de seu sofrimento psíquico.

Entre 19 e 29 de setembro, a Biblioteca Municipal de Jundiaí recebe a exposição ‘Suicídio: a epidemia calada’, com os quadros pintados por Felipe. “É mais um reforço para a campanha de prevenção. Que possamos com tal exposição de arte e da vida salvar mais pessoas”, finaliza Dra. Maria Cristina.

OMBRO AMIGO / Recentemente, o GAV (Grupo de Apoio à Vida) de Jundiaí expandiu-se em CVV (Centro de Valorização da Vida) e até o começo do mês de setembro deve passar a receber ligações através do 188, o número é geral para o país e gratuito para quem liga.

Além disso, os atendimentos, para quem tem pensado em se suicidar ou está precisando de ajuda, acontecem presencialmente na Avenida dos Ferroviários n° 2222. “Esse processo de mudança não tem sido fácil, nem simples, mas estamos no caminho certo”, comemora Maria Bernadete Amaral, coordenadora da unidade.
Sobre esses centros, Dra. Maria Cristina explica que eles têm sido responsáveis por reduzir o número de vítimas do suicídio.



Sobre a Dra. Maria Cristina De Stefano


 É formada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos. Foi médica sanitarista e professora de Saúde Pública na Faculdade de Medicina de Jundiaí. Desde 1996, atua como médica psiquiatra. Em 2012, a psiquiatra perdeu o filho Felipe de 34 anos por suicídio e desde então tem trabalhado na prevenção por meio de palestras para especialistas da área de saúde, estudantes universitários e membros de entidades. Além das palestras, a psiquiatra lançou a segunda edição ilustrada do livro ‘Suicídio: a epidemia calada’, que traz os últimos três anos do diário do filho.

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